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| ESTUDO DA BÍBLIA MÓDULO 01 – A “INTRODUÇÃO À LEITURA DA BÍBLIA” PARTE 1 : 10 PERGUNTAS SOBRE A BÍBLIA INTRODUÇÃO Ao início deste curso, muitas são as perguntas e dúvidas que perambulam por nossas mentes. Queremos entrar no mundo bíblico, mas temos muitos receios e medos... Por isto, é bom dizer que a Bíblia é como se fosse uma grande casa que acolhe com carinho a todos. Todo o Povo de Deus abriga-se dentro desta casa. Ali encontra proteção, segurança, comunhão. No entanto, para entrar numa casa é preciso saber por onde entrar (é feio pular a janela ou entrar pelos fundos). É necessário ter a chave e ao mesmo tempo saber que passos dar... Portanto, desde já queremos presentear você com esta chave: três verbos importantes no estudo da Palavra de Deus! Jesus, na última Ceia, ensinou muita coisa aos seus amigos. Ele falou, mas os apóstolos não entenderam tudo. Despedindo-se Jesus disse que enviaria o Paráclito, o Espírito Santo, “para vos recordar tudo o que eu vos disse”. Neste curso nós precisaremos dele de maneira toda especial. Para obter o Espírito Santo só tem um caminho: REZAR (cf Lc 11,13). Portanto a oração, principalmente pessoal, é parte fundamental deste curso! Jesus ensinava ao povo, mas à noite dava explicações particulares aos apóstolos. “A vós é confiado o mistério do reino de Deus.” (Mc 4,11). Os apóstolos estudavam. Para entender as palavras de Jesus, nós também iremos b>ESTUDAR! Quando Jesus morreu e quando o soldado transpassou seu coração, João disse: “Isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura”. (cf. Jo 19,36). João, após ter estudado a Bíblia, fica atento aos fatos da vida, à realidade. Ele ligava os fatos à Bíblia, para poder entender tanto a Bíblia como os fatos. Nós também temos que OLHAR os fatos da vida. A Bíblia “é luz para nossos passos” (Sl 118,105). Ela ilumina a vida! Três coisas: REZAR, ESTUDAR, OLHAR os fatos da vida. Elas são parte essencial do curso. Algumas vezes isto será feito durante as aulas. Outras vizes você fará isto sozinho, durante o curso e depois dele. Afinal, este é um curso de introdução, o começo de um caminho... 1ª PERGUNTA: COMO PODEMOS MANUSEAR A BÍBLIA? Para aprender a manusear a Bíblia, deveremos antes de tudo, saber o que são capítulos e versículos. Os capítulos são as divisões que encontramos nos livros sagrados, os capítulos são denominados por algarismos. Normalmente, os capítulos aparecem em números grandes. Os versículos são as divisões que encontramos dentro dos capítulos, sua função é auxiliar na localização das frases bíblicas. Normalmente, os versículos aparecem em números pequenos, que estão obrigatoriamente no meio do texto bíblico. O que significa a Pontuação nas citações Bíblicas? A pontuação da Bíblia vem a ser a forma que encontramos para manusear a Bíblia com maior facilidade. As principais pontuações bíblicas são as seguintes: - Virgula: separa capítulo de versículo. Exemplo: Dn 3,4 (Livro de Daniel, capítulo 3, versículo5); - Hífem: equivale ao “até”. Exemplo: Dn 3,1-5 (Livro de Daniel, capítulo 3, versículo 1 até 5); - Ponto: mostra versículos alternados. Exemplo: Dn 3,1.3.5 (Livro de Daniel, capítulo 3, versículo 1, versículo 3 e o versículo 5); -Ponto e vírgula: indica outro capítulo. Exemplo: Dn 3,1;4 - Letra a,b,c... : separa frases. Exemplo: 3,1a - Letra “s” : mostra a continuação de um versículo. Exemplo: Dn 3,1s (Livro de Daniel, capítulo 3, versículo 1 e seguinte); - Letras “ss” : mostram a continuação de dois versículos. Exemplo: Dn 3, 1ss (Livro de Daniel, capítulo 3, versículo 1 e seguintes); - Travessão: indica de um capítulo até o próximo. Exemplo: Dn 1 --- 2. Às vezes, antes das citações usa o “Cf” abreviatura do latim “Confer” (Confira). Essas são as principais pontuações bíblicas, que normalmente usamos para manusear mais facilmente a Bíblia. O que são abreviaturas bíblicas? As abreviações bíblicas têm como finalidade, facilitar na hora de especificar o livro sagrado. A maioria das Bíblias, para não dizer todas, possui uma página com todas as abreviações bíblicas, para a consulta de todos os leitores. Basta agora desfrutarmos daquilo que ela pode nos proporcionar, e principalmente, praticar os ensinamentos de Jesus Cristo, a Palavra de Deus encarnada. A lista a seguir apresenta as abreviações bíblicas. No entanto, o melhor é conferir na sua Bíblia.
A Bíblia é, também, conhecida como Sagrada Escritura, Palavra de Deus, Sagradas Letras, Livro da Aliança ou do Testamento, Livro Sagrado. O termo “testamento” não tem o significado de nossas línguas. A versão latina traduziu por “testamento” o termo hebraico que, na verdade, significa “aliança”. 2ª PERGUNTA: QUAL O SIGNIFICADO DA PALAVRA BÍBLIA? A palavra Bíblia vem do grego. Literalmente, ela significa “coleção de livros”, ou também “livrinhos”. Isto porque ela é o plural da palavra grega “biblion”, que é o diminutivo da palavra “biblios”, livro (daí também se origina a palavra “biblioteca”). 3ª PERGUNTA: COMO A BÍBLIA ESTÁ ORGANIZADA A Bíblia possui 73 livros e está dividida em duas partes: Antigo Testamento (AT) e o Novo Testamento (AT). O AT contém 46 livros e pode ser assim dividido + Pentateuco: Gn, Ex, Lv, Dt e Nm; +16 Livros Históricos: Js, Jz, RT, 1 e 2 Sm, 1 e 2 Cr, 1 e 2 Rs, Esd, NE, Tb, JT, Est, 1 e 2 Mc; +7 Livros Sapienciais: Jó, Sl, PR, Ecl, Ct, Sb e Eclo; +18 Livros Proféticos: Is, Jr, Lm, BR, Ez, Dn, Os, Jl, AM, Ab, Jn, Mq, Na, Hab, Sf, Ag, Zc e Ml. O NT possui 27 livros e pode ser divido em: +4 Evangelhos e Atos: MT, Mc, Lc, Jo e At; +14 Epístolas Paulinas: Rm, 1 e 2 Cor, Gl, Ef, Col, 1 e 2 Ts, 1 e 2 Tm, Tt, Fl e Hb; +7 Espístolas Católicas: Tg, 1 e 2 Pd, 1-3 Jo e Jd +1 Apocalipse: Ap. 4ª PERGUNTA: EM QUE LÍNGUA A BÍBLIA FOI ESCRITA? Originalmente, a Bíblia foi escrita em três línguas: hebraico, aramaico e grego. O Antigo ou Primeiro Testamento foi escrito em hebraico, com algumas exceções: a) Em aramaico foram escritas as passagens de Esd 4,6 – 6,18; 7,12-26; Dn 2,4 – 7,28; duas palavras em Gn 31,47; uma frase em Jr 10,11. b) Escritos totalmente em grego temos os livros de 2Mc, Sb e Eclo (embora o original deste último seja hebraico); parcialmente em grego, são Est, Jt, 1Mc, Tb, além de partes de Dn (3,24-90; 13 – 14), Br e C.Jr. O Novo ou Segundo Testamento foi todo escrito em língua grega, o chamado grego κοινῆ (koiné = comum). Na verdade, trata-se do grego ático (de Atenas) que se sobrepôs ao iônico, dórico e eólico. Hebraico e aramaico são línguas muito semelhantes. No tempo de Jesus, falava-se aramaico, escrevia-se em hebraico e muita gente “arranhava” o grego, devido a presença dos dominadores estrangeiros. Na sinagoga, a leitura das Sagradas Escrituras era sempre feita em língua hebraica, isto é, na língua em que estavam escritas. Naquele tempo o povo se reunia todo sábado na sinagoga para ouvir a leitura da Bíblia. A primenria leitura já vinha marcada conforme o dia e era obrigatória, como acontece hoje com a nossa liturgia; mas a segunda podia ser escolhida à vontade e feita por qualquer um dos homens presentes. A explicação era sempre feita em aramaico. É importante lembrar que a Bíblia que nós lemos é sempre uma tradução. Hoje, a Bíblia Sagrada é traduzida em 2.403 línguas (Cf. pt.wikipedia.org/wiki/Bíblia, acessado em 30/01/08) diferentes, continuando a ser o livro mais lido no mundo. Só no século passado mais de um bilhão e quinhentos milhões de exemplares da Bíblia foram impressos e divulgados. A tradução traz um problema sério, porque não pode ser feita ao pé da letra para não tornar a mensagem incompreensível. Exemplo: no texto original hebraico se encontra: “Do nariz de Deus saia fumaça” = Deus estava zangado. “As tripas se mexeram” = Estava muito comovido. 5ª PERGUNTA: QUAL A DIFERENÇA ENTRE A BÍBLIA CATÓLIA E A BÍBLIA PROTESTANTE? A principal diferença esta no modo como a bíblia é lida e interpretada. Quanto ao texto em si a bíblia protestante tem sete livros a menos: Tb, Jd, algumas partes de Dn, Est, Sb, Eclo, Br, Cartas de Jeremias e os dois livros de Mc. Além desses livros, também não são aceitos os seguintes trechos: Est 10,4-16 e Dn 3,24-90 e ainda os capítulos 13 e 14. Esta diferença vem de longa e tem uma longa história: - O começo da história: lá por 350 a.C., muitos judeus migraram para o Egito, assim como houve imigrantes que vieram ao Brasil. No começo os que vieram para cá ainda falavam a língua de origem, mas os filhos deles começaram a falar português, e os netos já não entendem mais o idioma dos avôs. Assim aconteceu com os judeus que foram ao Egito. Na Palestina falavam o aramaico, que é muito semelhante ao hebraico. A primeira e a segunda geração ainda entendiam o hebraico. Mas a terceira não entendia mais nada. Então se sentiu a necessidade de fazer uma tradução da Bíblia. Ela foi feita aos poucos, entre o ano 250 a.C. e 150. Assim, eles acabaram ficando com duas Bíblias: uma em língua hebraica para os judeus da Palestina, e outra em língua grega para os judeus que viviam fora da Palestina, lá no Egito Os judeus que moravam no Egito foram escrevendo mais alguns livros em grego, e a Bíblia deles ficou maior. Então os judeus da Palestina confrontaram as duas Bíblias e deixaram fora da lista os livros que os judeus do Egito tinham escrito a mais, em grego. Os judeus do Egito continuaram ampliando a Bíblia grega até sete livros a mais: Eclo, Sb, 1Mc, 2Mc, Tb, Jt e Br, além de trechos de Dn e Est e uma Carta de Jeremias. A Bíblia dos protestantes segue a lista da Bíblia Hebraica dos judeus da Palestina; a Bíblia dos católicos segue a lista da Bíblia Grega dos judeus do Egito. Esta Bíblia Grega se espalhou pelo mundo todo daquele tempo, pois a língua do mundo era o grego. - O meio da história: Os primeiros cristãos eram de Jerusalém e usavam a Bíblia hebraica, a mais curta. Quando vieram as perseguições, os cristãos começaram a se espalhar para outros países, onde a língua falada era o grego. Eles passaram então a usar a Bíblia escrita em língua grega. Tudo ficou tranquilo até que os judeus da Palestina, para se defender contra os cristãos, começaram a dizer: "Tá vendo! A Bíblia deles está errada. Tem livros demais." Aí fizeram uma reunião no ano 97, e disseram: "Para nós a Sagrada Escritura é a da lista pequena". Os cristãos não ligaram e ficaram com a lista mais comprida. Por volta do ano 400 o Papa Dâmaso pediu a Jerônimo traduzir a Bíblia para o latim, pois o povo já não falava nem hebraico nem grego, mas o latim. Precisava então de alguém que fizesse uma nova tradução, para que todo mundo pudesse entender. Jerônimo concordou e começou a trabalhar. São Dâmaso I (366-384). Por conselho de São Jerônimo, introduz o aleluia, assim como o Glória no final dos salmos. Havia porém um problema. Jerônimo não conhecia o hebraico. Procurou então um velho rabino judeu de Belém, para ter aula com ele. Devido às aulas, os dois acabaram ficando muito amigos e o rabino influenciou Jerônimo a ponto de convencê-lo a preferir a Bíblia mais curta, aquela dos judeus. Jerônimo, porém, sabia que a Igreja não pensava como ele. Então traduziu tudo, mas disse que os sete livros que não estão na Bíblia hebraica eram "deuterocanônicos". "Dêutero" que dizer segundo; "cânon" significa lista ou categoria. Logo, são livros da segunda lista, de segunda categoria. - O fim da história: a opinião de Jerônimo tinha muito peso na Igreja. Aí a briga começou de novo. Antes ninguém tinha dúvidas, mas depois que Jerônimo veio com esta de "deuterocanônicos", a discussão voltou a ser forte e a briga continuou por muitos e muitos anos. Com o passar dos séculos, o negócio foi ficando tão sério que os bispos resolveram pronunciar-se oficialmente. Fizeram isto numa Carta escrita durante o Concílio Ecumênico de Florença, no ano de 1430. Nesta Carta diziam que para a Igreja Católica faziam parte da Sagrada Escritura todos os Livros da lista comprida. Tudo parecia em paz, quando o assunto voltou à tona por causa de Lutero (1483-1546). Tendo deixado, por protesto, a Igreja Católica, Lutero tinha começado a Igreja Protestante. A primeira preocupação dele foi traduzir a Bíblia do latim para o alemão. Este foi um trabalho muito bom porque, como Lutero dizia: "O povo tem que poder ler a Bíblia, com sua cabeça e com seus olhos." A Bíblia que Lutero traduziu, porém, foi a Bíblia pequena, aquela dos Hebreus. Com ela reabriu-se a discussão dentro da Igreja. Então, no Concílio de Trento (1545-1563), os Bispos definiram a coisa e, encerraram a discussão: "A Bíblia que a Igreja Católica aceita como inspirada por Deus é aquela comprida." Os católicos ficaram com a Bíblia comprida e os protestantes com a curta, como Lutero tinha traduzido. Esta diferença existe ainda hoje. Hoje em dia já tem Bíblias protestantes que trazem os outros Livros, porque muitos deles sabem que são Livros antiquíssimos e de grande valor. 6ª PERGUNTA: PORQUE OS SALMOS POSSUEM NUMERAÇÃO DIFERENTE DE BÍBLIA PARA BÍBLIA O Livro dos Salmos é o livro mais amplo da Sagrada Escritura. Contudo, há salmos ao longo de muitos livros bíblicos, do AT e do NT. Antes dos salmos oficiais que formam o referido livro, individuamos, entre muitos, os salmos de Moisés e Miriam (cf. Ex 15,1-21), Débora (cf. Jz 5,1-31), Ana (cf. 1Sm 2,1-10). Alguns salmos neotestamentá-rios são o de Jesus (cf. Mt 11,25b-27), de Maria (cf. Lc 1,46b-55), de Zacarias (cf. Lc 1,68-79), de Simeão (cf. Lc 2,29-32), de Paulo (cf. Fl 2,6-11), dos anciãos, anjos e toda criação (cf. Ap 5,9b-13). DIFERENÇAS DE NUMERAÇÃO DOS SALMOS NA BÍBLIA HEBRAICA E NA LXX(Setenta) Bíblia Hebraica (sinal) LXX 1 a 8 = 1 a 8 9 e 10 ≠ 9 11 a 113 ≠ 10 a 112 114 a 115 ≠ 113 116 ≠ 114 e 115 117-146 ≠ 116 a 145 147 ≠ 146 e 147 148 a 150 = 148 a 150 Este mesmo contexto também explica as numerações dos salmos: todas as edições da bíblia trazem os mesmos 150 salmos. Sua numeração, porém, não é sempre a mesma. Existe a numeração do texto Hebraico (a lista curta) e a da versão grega, chamadas versão dos Setenta (LXX: a lista longa). 7ª PERGUNTA: ONDE A BÍBLIA FOI ESCRITA? A formação da Sagrada Escritura foi um longo processo. Entre 1250 a.C. e 100 d.C., aproximadamente: + O AT levou mais de mil anos para ser escrito; + NT mais ou menos 50 anos. A datação individual dos livros deverá ser apresentada ao início de cada qual ou de um bloco deles. 8ª PERGUNTA: QUANDO A BÍBLIA FOI ESCRITA? O AT foi escrito: + em Judá, o reino do sul (Palestina); + na Samaria, o reino de Israel, ao norte (na Palestina); + na Babilônia, onde o povo judeu esteve exilado, entre 587 a.C. e 539 a.C.; + no Egito, onde muitos judeus viviam na diáspora. (exílio forçado) Os livros do NT foram escritos nos lugares por onde os evangelizadores cristãos pregaram e fundaram as comunidades cristãs primitivas: + na Palestina (a terra de Jesus); + na Síria; + na Ásia Menor; + na Grécia; + na Itália, particularmente Roma, (Cf. SAB, Mapa das “prováveis regiões de redação dos escritos bíblicos”) 9ª PERGUNTA: QUE ASSUNTOS SÃO TRATADOS NA BÍBLIA? • Contém vários estilos literários: • Cartas, sermões, parábolas, comparações, filosofia, romances, cantos de amor, biografias, genealogias, poesias, leis para a organização do povo, leis para um bom funcionamento da liturgia, coisas alegres coisas tristes enfim, tudo, o que se refere à história da humanidade, a sua vida em si. 10ª PERGUNTA: PORQUE A LINGUAGEM DA BÍBLIA É TÃO DIFÍCIL? Porque nós a interpretamos de maneira racional, e devemos interpretar sobre um olhar de fé. Muitos leitores da Bíblia se queixam das palavras, expressões ou textos difíceis, às vezes incompreensíveis. Para compreender um pouco vamos pensar que um rapaz do Brasil, no ano 3500, tente fazer um pesquisa sobre como viviam os habitantes de sua cidade por volta do ano 2000. Muitos anos já se passaram e daqueles que viviam nessa época não ficou quase nada. Há somente umas cartas, uns livros, umas fitas gravadas.... Mas tudo aos pedaços e incompletos. Com muito boa vontade, porém, o rapaz, estudante da universidade, faz sua pesquisa e apresenta o resultado. Eis o que ele concluiu com seus estudos. Por volta do ano 2000, os habitantes de sua cidade> 1. Moravam em subterrâneos (eles diziam que “entrava pelo cano”); 2. Viajavam sempre de ferrovia (toda hora “pegavam um trem”); 3. 3 A medicina estava muito adiantada (tinha o “coração na mão”) 4. Cuidavam muito da higiene (mandavam “tomar banho”); 5. Cuidavam bem dos animais domésticos (diziam “lavei a égua”); 6. Havia homens sem cabeças (sempre havia alguém que “perdia a cabeça”: 7. Andavam de quatro (tinham a “cara no chão”); 8. Muitos ficavam loucos (sempre diziam “você está ficando louco”): 9. Não comiam carne (toda hora mandava alguém “plantar batatas”); 10. Morriam alegres (diziam “morri de rir. PARTE 2 – O FUNDALISMO • A leitura fundamentalista parte do princípio de que a bíblia, sendo palavra de Deus, deve ser lida ao pé da letra, em todos os seus detalhes. • O fundamentalismo é infiel ao espírito da Bíblia. O espírito da bíblia é marcado justamente pela comunicação de Deus através do humano. • O fundamentalista não sabe ler o que há de simbólico na bíblia. • Insiste exageradamente que todos os detalhes têm de ser aceitos como corretos por serem palavras de Deus. • Prejudica a compreensão do próprio Evangelho. IMPORTANTE • Embora considerando todos os aspectos negativos do fundamentalismo, é preciso compreender as pessoas que lêem a bíblia desse jeito. Temos que buscar um diálogo construtivo, sem agressões. • Vale apena perguntarmos quando uma palavra nos incomoda na sua expressão. • Existem sinais de leituras fundamentalista em nosso meio? AULAS DO PADRE ABÍLIO Israel antes da História Planícies do Nilo e Norte do Iraque já atesta a presença do homem desde o começo da era paleolítica, 200 mil anos a.C. Povo nômade que vivia basicamente da coleta, mais tarde aprende a semear e colher grãos, isso por volta do nono milênio ( primeiros vestígios de uma economia). Jericó - também noticias de uma primeira colonização por volta do ano 8.000 a.C. Em 4.000 a.C. – Egito e Palestina – inicio de uma organização comunitária aparecendo as primeiras construções de tijolos cozidos. CIDADES - ESTADOS - 3.000 a.C. O povo de Israel, nos seus primórdios, possui uma história que se relaciona com os povos vizinhos e antecessores. Devemos levar em conta a dificuldade de locomoção, insegurança (saqueadores nas estradas) – (Homem assaltado no caminho de Jericó). As caravanas eram sempre ameaçadas. Por isso o crescente fértil era o caminho comum desse povo nômade ou semi-nômade entre o Egito e a Mesopotâmia, compreendendo também a Pérsia. Nesta região, os impérios se sucediam nas conquistas, no domínio e na influencia de uma cultura sobre a outra. È dentro desse contexto geográfico que encontramos o primeiro relato da criação, do dilúvio (Daqui cem anos vão dizer que uma enchente acabou com São Luiz do Paraitinga, quando na verdade atingiu o centro histórico e não toda a cidade), das personagens importantes e da presença da divindade como aliada as situações humanas (Gn 1-11). A caminhada dos patriarcas também está dentro deste quadro. Nacor, pai de Taré, vivia na Mesopotâmia (Gn 11-24). Taré se tornou pai de Abraão e um dia resolveu tomar o caminho para Canaã, mas ao chegar em Harã, estabeleceu-se ali. Abraão, casado com Sarai, recebeu uma visão de Deus que lhe pediu para ir para Canãa com sua mulher e seus servos ( Gn 12,1-9). Ao chegar em Canãa houve uma grande fome e então, Abraão teve que partir para o Egito em busca de sobrevivência (Gn 12,10). Mais tarde são os descendentes de Abraão que vão para o Egito e lá inicia uma nova etapa do povo da Bíblia com o Êxodo (Ex 3,ss). É um tanto difícil entender a história do povo de Israel, pois ele não estava preocupado em transmitir a história tal como a concebemos em nosso tempo. (para nós, uma narrativa linear), enquanto que para eles, sem uma visão histórica moderna, juntamos como que vários tipos de estampas de retalho para confeccionar uma colcha. Quando buscamos na Bíblia fatos históricos, temos que aprender a ler por detrás das palavras e acontecimentos. É bom ter em mente que diferentes grupos se unem na formação do povo de Israel. Os textos bíblicos dão mais ênfase ao grupo de escravos que fugiram do Egito, mas este era o mais numeroso, mas um grupo com mais vivência, tradição e luta. Moisés, hebreu de nascimento, mas seu nome é egípcio, provavelmente conhecia a corte de Faraó (Ex 2,10). Não suportando a opressão sobre seus irmãos hebreus. Moisés reúne outros líderes e organiza a resistência a política opressora de Faraó (Ex 5). Moisés com seu grupo se tornou o mais importante na formação do povo de Israel. Sair do Egito significava resistir, enfrentar e vencer o sistema opressor que escravizava e matava. Uma contribuição importante que este grupo trouxe foi a devoção ao Deus libertador. O Deus dos hebreus ( Ex 3,16-20 ; Dt 6,12). A jornada deste grupo em direção a Canãa não foi fácil, precisou enveredar pelo deserto do Sinai (outra rota para fugir dos guardas do Faraó), pela estrada que ia do mar Vermelho até Damasco (Nm 20-21). Apesar de liderar. Moisés não entrou na Terra Prometida (Dt 34,1). Entrando em Canãa, encontraram um país mergulhado numa situação de revolta social, tensão entre cidades e aldeias (Jz 12, 7-24). Neste vazio de poder urbano surge o Povo de Israel. Israel significa: “È Deus quem luta” ( Gn 32, 29). JUIZES 1200 – 100 O Egito nunca mais será uma potência no crescente fértil. Com isso surgem pequenos reinos independentes. O Rei era tudo: comandava as forças armadas, era o juiz, o legislador e o sacerdote da religião. Israel mantém seu projeto social participativo e descentralizado. Foi uma grande vitória pára o Povo de Deus. Neste período surgem os Santuários, o de Silo era o mais importante (Js 18,1), mais tarde surge o de Jerusalém, com a destruição do Santuário dos Jebuseus. Dentro deste contexto surgem também as mulheres exercendo a liderança em Israel (Juíza Débora – Jz 4 e 5 ). MONARQUIA E PROFETISMO – 1000 – Urbanização centralizada (política e social). Causas: tomado do Santuário de Silo pelos filisteus, comercialização dos produtos; rivalidade econômica entre filisteus e fenícios. Saul – Jz 9 – Tentativa de implantar a monarquia em Israel. Saul enfrenta oposição interna que enfraquece seu reinado, mas consegue reinar por vinte anos. Davi – É apoiado pelos santuários (1 Sm 22.20-23), aliança com Tiro ( grande potencia) 2 Sm 5,11-12. Salomão – Amplia o império do Pai Davi e centralizou as riquezas em Jerusalém, usou e abusou do poder, estabelece 12 prefeituras para ter domínio sobre o povo (1 Rs 4,7). EXÍLIO – QUEDA DA SAMARIA 722 a.C. Guerras entre Israel e Judá, fizeram com que muitos judeus fossem levados para Israel como cativos. 2 Crônicas 28.8. Advertência de Amós ( Am 4,1-3). Surgimento dos Profetas: Jeremias, Ezequiel, Dêutero-Isaías, Amós, Oséias e Miquéias. O Exílio da Babilônia como divisor das águas: De Abraão até o Exilo 538 e do Exílio até 70 a.C. Dentro de todo esse contexto 333-63 a.C. surgimento do papel e escrita alfabética (domínio dos gregos – fenícios). “É um tanto árduo falar sobre a História de Israel, pois muito se perdeu ao longo da história. Procurei aqui fazer um breve resumo da história de Israel “, o restante ficará por sua conta e pesquisa. Pe. Abílio, msj MINEMÔNICA Para evitar aquela: “Isaias cap tal, versículo tal” e alguém já proclamar está na página tal, lembro que nem todos em um encontro trazem a mesma edição da SE, por isso às páginas “não batem”. O melhor é memorizar: Tal livro fica antes ou depois de tal ou próximo de tal. Por isso proponho a formula minemônica. Gen – Ex – Lê – Nu – Deu -----------/----------- Mt – Mc – Lc – Jo Jo – Ju – Ru – Sa – Re – Cro -----------/----------- Ro – Lo – Gal – Ef – Fi – Lo Es – Ne – To – Es – Ju – Mac -----------/----------- Tes – Tes – Tim – Tim – Ti – Fil – Heb Jô – Sal – Pro – Ec - C – Sab – Ec -----------/----------- Tia – Pe – Jo – Jud – Ap. Is – Je – Lam – Bar – Ez – Dan---/---Am – Os – Mi – Jo – Ab – Jo – Na * Lembre-se que existem em alguns livros: 1º e 2º. Exemplo: Cartas de João – Crônicas.... AT – Hoje se buscar denominar: Primeiro Testamento (PT) NT - Segundo Testamento (ST) MÓDULO 01 - B O EVANGELHO DE MARCOS Dá-me a palavra certa Na hora certa E do jeito certo E pra pessoa certa Dá-me a cantiga certa Na hora certa E do jeito certo E pra pessoa certa Palavra é como pedra Preciosa sim Quem sabe o valor cuida bem do que diz Palavra é como brasaQueima até o fim Quem sabe o que diz há de ser mais feliz Dá-me a palavra certa Na hora certa E do jeito certo E pra pessoa certa Dá-me a cantiga certa Na hora certa E do jeito certo E pra pessoa certa Palavra é como pedra Preciosa sim Quem sabe o valor cuida bem do que diz Palavra é como brasa Queima até o fim Quem sabe o que diz vai levar a Palavra > O motivo se deve ao fato de seu evangelho começar com o testemunho de João Batista, que vivia no deserto, lugar de animais ferozes, como é o caso do leão. > Outro texto que inspira essa associação está em Ap 4, 7. > O evangelista Marcos é simbolizado na Tradição da Igreja por um leão como asas. > “ O primeiro Ser vivo era semelhante a um leão; o segundo era semelhante a um touro; o terceiro tinha rosto de homem; o quarto era semelhante a uma águia em pleno vôo”. INTRODUÇÃO GERAL AO NOVO TESTAMENTO a) Jesus da história – Jesus da fé: > Jesus de Nazaré nasceu sob o reinado de Herodes, provavelmente no ano 6 a. C. Por volta do ano 27/28 foi batizado por João Batista e inaugura sua vida pública, que dura em torno de três anos. Escolhe discípulos. Proclama por palavras e obras a chegada do Reino de Deus. > Nada escreveu, ou melhor, escreveu algumas palavras na areia (cf. Jo 8, 6): “Eles perguntavam isso para experimentá-lo e ter motivo para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever no chão, com o dedo.” > Por volta do ano 30 é crucificado pelos romanos. Parece ser o fim de mais um judeu crucificado pelo poder romano... b) origem das primeiras comunidades (30-60) – pregação – celebração – catequese O que se segue a morte de Jesus? A experiência da ressurreição de Jesus e a luz do Espírito Santo permitem aos discípulos perceber o mistério que o envolve. Cheios da força do Espírito testemunham esta verdade e dão a vida por ela. >O que é importante perceber no relato dos evangelhos que não se trata de um movimento que se reúne em torno das idéias de um profeta, filósofo ou pensador. O que une os discípulos e discípulas, homens e mulheres medrosos, é uma presença. Iluminados pela ressurreição de Jesus começam a relembrar o que Ele fez, falou e pediu para que ele continuassem a fazer (At 1,1). “No meu primeiro livro, ó Teófilo, tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo...” >Eles pregam (anunciam) Jesus. Este anúncio dirige-se primeiro aos judeus e depois aos pagãos. Celebram Jesus ressuscitado na liturgia, sobretudo na Eucaristia. É na fração do pão que as recordações vão tomando forma. Convertem e batizam muitas pessoas. O cristianismo começa a espalhar-se pelo Império. >É preciso ensinar (catequizar) os recém batizados. Se faz necessário aprofundar o significado das palavras e gestos de Jesus à luz da ressurreição. O relato dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35) procura mostrar isso: na interpretação das Escrituras e na partilha do pão em comunidade, Jesus se revela! > Entre os neo-convertidos se encontra Paulo (sua conversão acontece por volta do ano 36) que vai levar a Boa Nova até os confins da terra. A partir de Paulo, os pagãos não precisam se tornar judeus para se converterem ao cristianismo (cf At 15), Concílio de Jerusalém. Entre os anos 51-63, Paulo escreve várias cartas a diversas comunidades (Corinto, Galácia, Filipos, Éfeso, etc). >O primeiro escrito de todo o Novo Testamento é a primeira Carta aos Tessalonicenses (1Ts). Isto aconteceu somente no ano 51 d. C.! As comunidades vão se solidificando cada vez mais. C) Redação dos escritos >Existiam muitas tradições sobre Jesus: milagres, discursos, ditos. Surgiu-se então a necessidade de reunir e organizar essas tradições, em vista de responderem aos muitos questionamentos que as comunidades tinham sobre quem é Jesus. Nasciam assim os evangelhos. >Os três primeiros Evangelhos: Mateus, Marcos e Lucas são chamados sinóticos. O que significa sinótico? Sinótico é uma palavra que vem do grego e significa “mesma”, “idêntica”, “visão”. Estão dentro de uma mesma ótica. Já o Evangelho de João foi escrito numa outra perspectiva. >Fazendo uma comparação entre os evangelhos, poderíamos dizer que: Mateus, Marcos e Lucas procuram tirar “retratos” da vida de Jesus, são mais históricos, ou seja, acentuam mais a historicidade de Jesus. >Já o evangelista João procura tirar um “raio-x”. Ver o que está além das aparências. >Os discípulos seguiram a Jesus como a um mestre. No entanto, após a Páscoa, tudo ganhou uma nova perspectiva. A luz da ressurreição iluminou toda a convivência entre Jesus e seus discípulos. A redação dos evangelhos pode ser interpretada como um “laboratório fotográfico”. O que Jesus fez, ensinou e pediu para que seus discípulos continuassem a fazer ficou gravado como se fosse um filme. Mas tudo era meio obscuro. Assim como num filme onde as imagens e pessoas são um tanto quanto distorcidas. O que é então revelar um filme? A luz do Espírito é como se por meio da comunidade, esse filme fosse banhado na vida dessas comunidades, ganhando os contornos e cores bem definidas e assim Jesus fosse revelado. >Portanto, os evangelhos não são biografias de Jesus. São relatos de fé! Querem falar não de um personagem histórico que viveu... Os evangelhos são testemunhos da experiência que fizeram com esta pessoa que está viva. >Os evangelhos nos revelam também muito da vida das comunidades, onde foram redigidos e para quais comunidades foram endereçados. |
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