ANO SACERDOTAL 19/06/2009-2010
Corações agradecidos

Corações agradecidos - 14/06/2010 - 14:28
Na maior concelebração da história de Roma, na sexta-feira, dia 11 de junho, na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, O Papa Bento XVI presidiu o encerramento do Ano Sacerdotal que foi proposto por ocasião da celebração dos 150 anos da morte de São João Maria Vianney, o Cura d’Ars A abertura foi na solenidade do Sagrado Coração de Jesus no ano passado e encerramos neste ano na mesma ocasião. Para esta ocasião, tanto as Paróquias como as Dioceses prepararam celebrações especiais – aqui no Rio de Janeiro celebramos unidos na Igreja de São Pedro no sábado, dia 5 de junho, e nestes dias cada paróquia, forania ou vicariato preparou a sua solenidade. Em Roma, aconteceu a semana de encontros, retiros, conferências, seminários, muitos com transmissão direta também para o nosso país: retiro sobre o dom do sacerdócio (Basílica de São João de Latrão), Meditação/Adoração Eucarística/Confissões e Santa Missa (Presidida pelo Senhor Cardeal Cláudio Hummes, Prefeito da Congregação para o Clero); Meditação/Adoração Eucarística/Confissões, Santa Missa e Vigília na Praça de São Pedro, e a Santa Missa na “Solenidade do Sagrado Coração de Jesus”, presidida pelo Papa Bento XVI que em sua homilia iluminou o nosso tempo com suas palavras animadoras e consoladoras.
Ele recordou inclusive que esta ocasião de orações e de recolocar os grandes ideais da vida sacerdotal não agradaria ao maligno, que, ao contrário, gostaria que “Deus fosse colocado fora do mundo”. No entanto, ao comentar sobre a figura do pastor que apareceu na liturgia do Sagrado Coração de Jesus recorda que “Deus pessoalmente cuida de mim, de nós, da humanidade” e que não somos “largados sozinhos, perdidos no universo”, porque ele “conhece as suas ovelhas e elas o conhecem” e que não é um conhecimento intelectual, mas sim “interiormente”.
O Ano Sacerdotal teve como tema “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote”. Dentro desta temática, o Papa Bento XVI pediu que todo o “orbe católico” rezasse pelos sacerdotes e que todos os padres meditassem mais sobre a beleza de sua vocação e do seu ministério. Assim, o modelo proposto foi o Cura d’Ars: um grande padre que teve a capacidade e a coragem de chegar a uma cidade onde a maioria das pessoas não queria compromisso com Deus e nem com a Igreja. Porém, ao longo do tempo conseguiu chamar a cidade à conversão e participação. Diante disso, sua cidade no interior da França tornou-se centro de peregrinação. Todos conhecemos o relato que diz sobre o que ia fazer ou o que via em Ars, pois aquela cidade não tinha atrativo algum: “vou lá porque quero ver Deus em um homem”. Tratava-se do então Padre João Maria Vianney.
Olhando para a figura desse grande homem, é assim que todos os sacerdotes são convidados a viver o seu ministério, ou seja: numa entrega total a Deus e a serviço do próximo. É como vemos os nossos padres: entregando de fato a sua vida para levar os outros a Deus. Quantos bons exemplos nós temos de padres que dão testemunho de fé e com o seu entusiasmo contagiam a sua comunidade paroquial! Sou testemunha disso em minhas missões a mim confiadas pela Igreja e agora, através das visitas, no conhecimento das realidades da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. Por isso, como mencionei em minha primeira carta Pastoral para esta Arquidiocese, como agora, no encerramento do Ano Sacerdotal, devemos dar graças a Deus por todos aqueles que a cada dia, pelo seu testemunho, fazem reinar Cristo no mundo.
Nestes tempos de dificuldades, que costumam ser bem salientadas e difundidas de maneira global, mas também de grandes generosidades e santidade, pouco conhecidas e divulgadas, o Espírito Santo nos tem dado respostas belíssimas com as vocações que afluem aos nossos seminários e com presbíteros animados pelo Espírito Santo animados como discípulos missionários consagrando toda a vida ao serviço do Senhor. Ele continua chamando muitos jovens a uma vida totalmente dedicada a serviço de Deus e do Povo. É bom recordar a profecia do Cura d’Ars: “quando se quer destruir a religião, começa-se por atacar o padre”. Pelas notícias que serão publicadas sobre este belíssimo evento poderemos ler criticamente o viés de cada veículo e com que filtro ele passa aos seus “usuários” este momento histórico.
Ao longo deste Ano Sacerdotal realizamos várias missas, adorações, encontros, palestras, conferências, seminários, retiros. Tudo isso foi promovido para que as nossas comunidades rezassem mais pelos sacerdotes e também pedissem ao Senhor da Messe que enviasse mais missionários. Posso dizer como foi bom celebrar em nossa Arquidiocese o Ano Sacerdotal! Espero que estas iniciativas continuem, para que possamos assim rezar sempre pelos padres e também pelas vocações.
Em boa hora o querido Papa Bento XVI convocou este Ano Sacerdotal, que, se de certa forma chega ao seu final, no entanto motiva a todos para que continuemos unidos e rezando uns pelos outros, em especial unidos e rezando pelos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais.
Milhares de padres acorreram a Roma para o encerramento deste evento marcante – que, como disse acima é uma das maiores manifestações de padres nas celebrações junto ao Santo Padre. Encontrando com muitos presbíteros durante a viagem, notei a alegria do chamado, da entrega da vida e a busca de testemunhar a beleza do seguimento de Jesus Cristo. São tempos em que o Espírito Santo faz brotar no coração destes homens de Deus o desejo de continuar vivendo alegremente suas vidas consagradas e anunciar ao mundo a alegria de ter sido escolhido para tão grande missão!
Agora continuamos a testemunhar Jesus Cristo na história, e cada um de nós é corresponsável para levar adiante aquilo que vivemos e celebramos! O tempo de oração, intercessão, testemunho continua ainda mais intenso e com ânimo renovado. Tenho certeza de que o Senhor conduz a nossa história e continuaremos com disponibilidade e alegria anunciando o Cristo Ressuscitado a todos!
Desejo a todos que neste tempo de lutas, dificuldades, incertezas, confiança, generosidade, testemunho, coragem que sempre e em todo lugar experimentem a confiança de que somos sustentados pela mão de Deus.


Padres do Piauí estudam tema do Ano Sacerdotal

Notícias: Nacionais

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Padres do Piauí estudam tema do Ano Sacerdotal . - 22/04/2010 - 14:02
Termina nesta sexta-feira, 23, o encontro dos padres do Regional Nordeste 4 da CNBB (estado do Piauí), que compreende as dioceses de Parnaíba, Campo Maior, Teresina, Picos, Floriano, Oeiras, São Raimundo Nonato e Bom Jesus. A reunião começou na segunda-feira, 19, em Parnaíba.



Os padres estudam o tema do Ano Sacerdotal “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote” a partir de três eixos: “A alegria de ser padre missionário”; Comunicação na Vida Sacerdotal e Fraternidade Sacerdotal. Estes temas têm a assessoria, respectivamente, dos padres Domingos Barbosa e Tony Batista e do arcebispo de Teresina, dom Sérgio da Rocha.



O Ano Sacerdotal foi convocado pelo papa Bento XVI em junho do ano passado para celebrar os 150 anos da morte do padre São João Maria Vianney, proclamado por Bento XVI padroeiro dos sacerdotes de todo o mundo.


Última Alteração: 14:02:00

Fonte: CNBB
Local:Piauí


Sacerdotes de todo o mundo compartilham testemunhos e reflexões

10/06/2010 - 17:54 - Sacerdotes de todo o mundo compartilham testemunhos e reflexões

O Cardeal Tarcisio Bertone, Secretário de estado Vaticano, presidiu na Sala Paulo VI uma tarde de testemunhos e reflexões ante os milhares de sacerdotes que chegaram de todo o mundo para participar dos atos do Encerramento do Ano Sacerdotal convocado pelo Papa Bento XVI.
O evento desta tarde foi patrocinado por sacerdotes de diversos movimentos eclesiais, e reuniu presbíteros de 70 países e teve como título "Os sacerdotes de hoje".
Entre os testemunhos compartilhados destacaram o de um sacerdote da Irlanda sobre a fidelidade à vocação; do Burundi falaram os sobreviventes do assalto no seminário menor de Buta; da Alemanha um sacerdote relatou como superou a experiência do alcoolismo com a ajuda de sua comunidade; e do Chile, o Cardeal Francisco Javier Errázuriz Ossa, Arcebispo de Santiago, ofereceu uma reflexão teológica.
Ao dirigir-se aos presentes, o Cardeal Bertone manifestou “as saudações, o amor e a bênção do Papa Bento XVI” e recordou que "a Igreja e a sociedade necessitam sacerdotes" que sejam homens de comunhão.
Os sacerdotes "são essencialmente irmãos entre irmãos, que transmitem o rosto de Cristo. Irmãos de todas as pessoas, homens e mulheres, capazes de amar e servir com dedicação total, sem procurar seu próprio interesse”.
É assim, explicou, como “compreendemos a importância e a beleza do celibato. E esta beleza brilha no amor incondicional que sempre foi muito bem considerado na Igreja como sinal e estímulo de amor e como uma fonte especial de fecundidade no mundo".
O Cardeal Bertone assinalou que “a dor da infidelidade, às vezes grave, de alguns membros do clero, que afetou a credibilidade da Igreja”, deve ser respondida –como assinala Bento XVI- com “uma temporada de renascimento e renovação espiritual”.


Vocação sacerdotal e profissão

17/03/2010 - 15:32 - Vocação sacerdotal e profissão

O bom profissional busca sempre a sua capacitação


Vivenciamos o Ano Sacerdotal numa oportunidade especial para que cada presbítero renove seu propósito interior, assumido no dia de sua ordenação sacerdotal. Nas intenções do Papa Bento XVI, o alvo a ser atingido é aquele vivido pelo patrono dos padres, São João Maria Vianney, o Cura d’Ars, na disponibilidade e entrega total de si mesmo.


A vida sacerdotal teve um caminho diversificado nos vários momentos da história. Podemos destacar os inícios da Igreja, a Idade Média e os tempos modernos. No primeiro caso, o ministério sacerdotal estava mais em sintonia com a comunidade. No segundo momento, dominava o clericalismo extremo. Na nova cultura, há uma tendência muito secularista.


O que se observa hoje é um grande desgaste na identidade sacerdotal, tendo como atitudes os sinais de fidelidade e de mediocridade. Dentro das críticas da cultura hodierna, que observa um lado obscuro da vida clerical, falamos de vocação e de profissão. São dois caminhos de realização humana e distintos nos seus reais objetivos.


Quem se sente realmente vocacionado para a vida sacerdotal, tê-la como profissão não se satisfaz. A vocação supera o simples caminho profissional. Ela exige mais entrega de si mesma, de dedicação, empenho e sacrifício. O seu caráter tem mais sentido de perenidade e dimensão definitiva. Vocação é serviço, é ser servo de todos e é dom do Espírito.


Como dom de Deus, a vocação deve corrigir, em todos os presbíteros, o simples acento funcionalista. O padre não pode ser funcionário do sagrado, principalmente por saber que a vocação brota do coração, da sua própria identidade, que ultrapassa, em muito, uma simples profissão ou funcionalismo do altar.


O bom profissional busca suas habilidades participando daquilo que o capacita para agir. Para isso há os cursos de “qualidade total” com requinte de perfeição. A qualidade do sacerdote vem de sua experiência de vida com Deus. Sem isso, a ação do padre não passa de uma profissão e perde sua força missionária.


A tônica da Igreja é o povo de Deus, de onde surgem as vocações para a vida sacerdotal. Podemos dizer que a vocação nasce do povo e é colocada a serviço desse mesmo povo. Na nova cultura, todo padre corre o risco de cair na superficialidade, na cultura da imagem, não dando mais sentido aos símbolos.


A estética, a aparência e os exteriorismos, também litúrgicos, reforçam a infecundidade do ministério sacerdotal. A mídia é importante, atrai multidões, encanta as pessoas, mas exalta muito o aspecto individualista do cristão. Nem sempre consegue integrar as pessoas na vida comunitária.


Ao falar de encontro pessoal com Jesus Cristo, de conversão e de discípulos missionários, a Igreja revela sua preocupação com a identidade dos cristãos. Não adianta dizer “Senhor, Senhor”. É preciso agir com vocação alimentada no seguimento do Mestre, com convicção e propósitos firmes. A partir de tudo exposto, fazendo uma total revisão nas nossas atitudes de vocacionados, podemos dizer que o Ano Sacerdotal poderá atingir os objetivos almejados. Como sacerdotes, deixaremos de ser simples profissionais, para ser imagem do Cristo Sacerdote na construção do povo de Deus.


Ano Sacerdotal deve dar presbíteros como a Igreja quer, como Cristo quer

09/06/2010 - 17:15 - Ano Sacerdotal deve dar presbíteros como a Igreja quer, como Cristo quer

O Subsecretário da Congregação para o Clero, Dom Celso Morga, assinalou em entrevista à Rádio Vaticano (RV) que o desafio fundamental dos presbíteros e o que se espera deles como fruto do Ano Sacerdotal é que sejam “sacerdotes como a Igreja quer, como Cristo quer”.
O Prelado fez estas declarações ao concluir o Congresso Sacerdotal organizado pelo Pontifício Ateneu Regina Apostolorum em Roma, como preparação para o “Encontro Internacional de Sacerdotes” que dará encerramento ao Ano Sacerdotal.
Dom Morga explicou que “o sacerdote leva consigo um ministério, um anúncio que é Cristo. E Cristo tem suas exigências, tem seus mandamentos. Esse é o grande desafio do sacerdote hoje. Levar a Cristo com todo seu amor, com todas suas exigências”.
“Continuar a união com Cristo sempre. Que seja um homem piedoso. E como conseqüência que seja dócil, docilidade à Igreja, docilidade a Cristo. (O sacerdote) é servo. Não tem a sua vida em suas mãos mas sua vida está em mãos de outro, que é Cristo, e em mãos de outra que é a Igreja, sua esposa”, ressaltou.
O Prelado antecipou que o Encontro Internacional de Sacerdotes, que se realizará em Roma de 9 a 11 de junho, será “a reunião de sacerdotes mais numerosa de toda a história” já que congregará 14 mil presbíteros de todo o mundo, cifra quase três vezes maior que a registrada no Jubileu dos Sacerdotes do ano 2000.
“Na Opera Romana Pellegrinaggi estão inscritos quase 10 mil (sacerdotes). Depois, a Prefeitura da Secretaria de Estado nos disse que outros 3 mil estão inscritos aí. Portanto esperamos, 13 mil ou 14 mil sacerdotes. Para o ano 2000 chegamos a reunir em Roma 5 mil. Esta vez o vamos dobrar e quase triplicar”, acrescentou Dom Celso Morga.


COMO É SER PADRE HOJE

Como é ser padre hoje - 01/04/2010 - 08:21
"Você é Sacerdote para sempre, segundo a ordem do sacerdócio de Melquisedec”. (Hb 5,6, numa citação ao Antigo Testamento).
“Somente Cristo é o Verdadeiro Sacerdote, os outros são seus ministros”. (Santo Tomás de Aquino)
O padre recebe o sacramento da ordem mediante a imposição das mãos sobre a sua cabeça por parte do bispo, que pronuncia a solene oração consecratória. Com ela, o bispo invoca a Deus para o ordenando a especial efusão do Espírito Santo e dos seus dons, em vista do ministério.
A unção do Espírito marca o presbítero com um caráter espiritual indelével, configura-o a Cristo sacerdote e o torna capaz de agir no Nome de Cristo Cabeça. Sendo cooperador da ordem episcopal, ele é consagrado para pregar o Evangelho, para celebrar o culto divino, sobretudo a Eucaristia de que tira força o seu ministério, e para ser o bom pastor dos fiéis.
Mesmo sendo ordenado para uma missão universal, ele a exerce numa Igreja particular, em fraternidade sacramental com os outros presbíteros, que formam o “presbitério” e que, em comunhão com o bispo e em dependência dele, tem a responsabilidade da Igreja particular.
Os sacerdotes ordenados, no exercício do ministério sagrado, falam e agem, não por autoridade própria, nem por mandato ou por delegação da comunidade, mas na Pessoa de Cristo Cabeça e em nome da Igreja. Portanto, o sacerdócio ministerial se diferencia essencialmente e não apenas por grau, do sacerdócio comum dos fiéis, a serviço do qual Cristo o instituiu.
Estas afirmações se encontram no Catecismo da Igreja Católica e as colhemos lá para que fosse uma informação verdadeira e digna de crença e a fim de que, por elas possamos ver como é difícil e sagrada à missão do padre, principalmente nos dias de hoje.
Antes do Concílio Vaticano II, mesmo aqueles fiéis mais próximos do sacerdote mantinham uma certa distância do seu pastor. A missa era celebrada em Latim e o celebrante ficava de costas para os assistentes. Os fiéis assistiam à missa.
Hoje, os fiéis são celebrantes junto com o padre, que preside a celebração com a participação de todos e que permanece voltado para o povo durante a celebração.



Tudo bem melhor. Só que o mundo se modifica a passos muito largos e nem sempre é fácil para o padre acompanhar essas modificações. Ele está mais perto do povo, trabalha junto com ele, convive com os seus acertos, mas também convive com os seus erros. E como há erros!
A família tem sido desvalorizada, há separações nem sempre baseadas no bom senso, há abortos, há gravidez precoce, há jovens (e velhos!) drogados, há violência e abuso de crianças. E há toda uma gama de tentações no mundo, que hoje andam soltas. Se para um pai de família é difícil vencer as tentações, mais difícil ainda é para o padre, que, praticamente, enfrenta sozinho as situações mais complicadas.
Entretanto, tudo isto é uma prova de fogo que o padre deve vencer. Ele poderá contar com a ajuda de fiéis engajados, que exercem também seu sacerdócio comum a todos que desejam trilhar os caminhos traçados por Cristo, em busca do bem, da paz, do amor e da construção de um mundo novo que se capacite a participar do Reino do Pai.
E – mais importante ainda – o que lhe dá força e vigor na sua missão é a efusão do Espírito Santo, que certamente ele pode invocar sempre.
O sacerdote secular, chamado São João Maria Vianney, o santo Cura d’Ars, é uma prova da ação de Deus na vida de quem o procura, principalmente na vida dos seus ungidos. Quando seminarista, ele foi até despedido de um seminário por falta de talento. A duras penas, conseguiu ser ordenado, mas seus superiores não levavam fé nele. Deram-lhe uma paróquia de 250 habitantes, calculando que menos fiéis sob seu pastoreio talvez pudesse dar certo. Viveu nesta paróquia por 40 anos, numa grande humildade. Por três vezes tentou afastar-se de lá, mas os paroquianos não o permitiram. Tornou-se um grande confessor. Pessoas acorriam de longe para ter o privilégio de se confessar com ele.
Que Maria Santíssima interceda pelos padres para que, como o santo Cura d'Ars, eles cumpram com alegria a vontade do Pai, sobretudo nesses tempos modernos.
E que Cristo, que lhes conferiu, através do bispo, a sua árdua tarefa, os faça imitar os Seus gestos e as Suas atitudes, tão cheios de amor para esse mundo que festeja triunfalmente a Sua entrada em Jerusalém e, dias depois, O crucifica ao lado de dois bandidos. E Ele ainda pede ao Pai: "Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem."
Nesse sentido quero cumprimentar a todos os presbíteros e bispos, homens dedicados que gastam a sua vida pelo Reino de Deus, e desejar que a graça do Espírito Santo ilumine sempre o seu agir sacerdotal na pessoa de Cristo para a santificação do povo Santo de Deus!


Última Alteração: 08:21:00

Fonte: Dom Eurico dos Santos Veloso - Arcebispo Emérito de Juiz de Fora
Local:Juiz de Fora (MG)


PADRE, DELICADEZA DO CORAÇÃO DE JESUS

18/11/2009 - 13:40 - Padre, delicadeza do Coração de Jesus

Evangelizando com a alegria da Páscoa e a coragem de Pentecostes


Antes de tudo, caro (a) leitor (a), quero dizer-lhe que o sacerdote existe porque Deus ama você. O padre é ponte entre Deus e o povo. A palavra "padre" quer dizer "pai". Sim, pai da comunidade, amigo de Jesus, irmão dos seus colegas padres, diácono do povo. A todos os padres nossos cumprimentos, parabéns e agradecimentos. Se o Papa João Paulo já pediu 94 perdões em seu pontificado, não tenho nenhuma dificuldade em pedir perdão e perdoar nossos padres. Eles não precisam tanto dos nossos elogios, mas da nossa compreensão e colaboração. Sem eles, os bispos nada são, dizia um bispo francês no Concílio Vaticano II.


Que você padre seja o melhor audiovisual do amor do Pai, especialmente para os mais pequeninos. No dia de sua ordenação o bispo rezou para você “carregar o fardo do povo”. É a vocação do “padre-Cirineu”, um padre carregador de fardos, um “padre povoado”. Todos sabemos que a ordenação não suprime as fragilidades e limitações do ordenado. O sacerdote continua após a ordenação sob o peso da fragilidade humana, mas a graça sacramental o sustenta e o torna imagem do Bom Pastor, que dá a vida pelo rebanho. O padre não deve esquecer que ele é um “médico ferido” diz B. Haring. Mas, pela oração, a fraqueza humana se transforma em força. Carregamos o mistério em vasos de barro (cf. IICor 4, 7).


Deus deposita em seus padres um voto de confiança. Por isso os presbíteros serão os primeiros a carregar a tocha da luz, da vida e do calor que emanam do coração de Deus, rumo ao novo milênio. Sejamos homens de esperança e de alegria, sabendo que a inautenticidade prejudica a fé do rebanho. O padre não pode viver uma heresia vital, dizer uma coisa e fazer outra. O mundo hoje, não acredita nos mestres mas nas testemunhas.


O padre é um “homem matinal”, profeta da vida, peregrino em busca da verdade, pois dos lábios do sacerdote esperamos a ciência. Homem caminhante, homem sempre em partida, “homem exodal” que vai ao encontro dos fiéis, evangelizando com a “alegria da Páscoa e a coragem de Pentecostes”, construindo a sociedade nova. O padre constrói mais pelo que ele é, do que pelo que faz.


Em nossos dias a pessoa do padre é muito controvertida. Para uns, o sacerdote é um anjo, para outros um demônio. Nem anjos nem demônios, nossos padres são pessoas humanas nas quais Deus apostou e mesmo quando estes erram Deus não os desautoriza, mas, em Seu amor sempre fiel, continua apostando na conversão de seus escolhidos. Bem escreveu São Francisco de Assis: “Quero temer, honrar e amar os sacerdotes como meus senhores, pois neles está o Filho de Deus. Não levo em consideração os seus pecados porque reconheço neles o Filho de Deus e eles são os meus senhores.”


O padre é uma delicadeza do Coração de Jesus. “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração” (Jo 3, 15). Nossos sacerdotes não precisam tanto de nossos elogios, mas do nosso perdão, da nossa compreensão e colaboração. O padre é uma invenção do amor trinitário em favor do povo. Você criança, você jovem, você adulto ouça a voz de Deus que o chama para a vocação. Ser padre não é uma dignidade só para os santos e justos, nem é uma degradação para quem não alcançou outros ideais na vida. O padre é um pai, um pastor, um profeta, um homem de Deus e se você conhece padres que não são assim, ajude-os a serem fiéis, porque o padre não existe para si, mas para o povo.


O apóstolo Paulo define o sacerdote como “administrador dos mistérios de Deus” (I Cor. 4, 1), mas é em “vaso de argila” que ele carrega esta dignidade e responsabilidade. Não é pois a pessoa humana do padre que nos encanta e inquieta, mas a missão que lhe foi confiada. Ser padre não é uma honra, mas uma responsabilidade. O padre é uma chave que abre o acesso a Deus, é uma escada que conduz ao céu, é um sinalizador do amor de Deus, é uma ponte que liga o céu e a terra. Em nossos dias a Igreja deseja padres animadores de comunidades, comprometidos com a causa dos excluídos, construtores de uma sociedade nova, justa e fraterna, lugar do reino de Deus.






Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Londrina - PR


PAPA A SACERDOTES: "HABITEM CONFESSIONÁRIOS COM MAIS FREQUÊNCIA".


» Notícias

11/03/2010 - 17:49 - Papa a sacerdotes: ‘Habitem confessionários com mais frequência’

.: NA ÍNTEGRA: Discurso do Papa à Penitenciária Apostólica

Tal necessidade é "para que o fiel possa encontrar misericórdia, conselho e conforto, sentir-se amado e compreendido por Deus e experimentar a presença da Misericórdia Divina". O Bispo de Roma frisou que, no Sacramento da Penitência, Jesus se confia ao padre para que as pessoas possam fazer a experiência do abraço que o Pai oferece ao filho pródigo.
Sobre a "crise" do Sacramento da Penitência, de que se fala continuamente, o Papa frisou que é um desafio para o padre e sua tarefa de educar o Povo de Deus. O Pontífice apontou o caminho a seguir:
"É importante que o sacerdote tenha uma permanente tensão ascética, nutrida na comunhão com Deus, e se dedique a uma atualização constante no estudo da teologia e das ciências humanas".
Bento XVI recorreu ao exemplo de São João Maria Vianney para destacar a tarefa do presbítero enquanto administrador da Misericórdia Divina:
"É tarefa do sacerdote favorecer aquela experiência do 'diálogo de salvação', que, nascendo da certeza de ser amado por Deus, ajuda o homem a reconhecer o próprio pecado e a introduzir-se, gradualmente, naquela estável dinâmica de conversão do coração, que leva à radical renúncia do mal e a uma vida de acordo com Deus".

Experimentar a Misericórdia
O Santo Padre ressaltou que a consciência dos próprios limites e a necessidade de recorrer à Misericórdia Divina são fundamentais na vida do sacerdote. "Somente quem primeiro experimentou a grandeza maior pode ser convicto anunciador e administrador da Misericórdia de Deus".
Em meio a uma cultura marcadamente hedonista e relativista, o papel do sacerdote enquanto administrador dessa Misericórdia é imprescindível. Segundo o Papa, "não devemos esquecer, de fato, que existe um tipo de círculo vicioso entre o ofuscamento da experiência de Deus e a perda do senso de pecado".
Nesse sentido, o exemplo da vida sacerdotal precisa servir como termômetro que ajude a calibrar a visão das pessoas para discernir o bem do mal. "Somente aqueles que se tornam no dia a dia presença viva e clara do Senhor podem suscitar nos fiéis um senso de pecado, dar coragem e fazer nascer o desejo do perdão de Deus", disse.

A Penitenciária Apostólica
A Constituição Apostólica Pastor Bonus, escrita por João Paulo II e que elenca as funções de cada um dos dicastérios (organismos) da Cúria Romana, esclarece o papel do Tribunal da Penitenciária Apostólica:
"A competência da Penitenciaria Apostólica refere-se às matérias que concernem ao foro interno e às indulgências. Para o foro interno, tanto sacramental como não sacramental, ela concede as absolvições, as dispensas, as comutações, as sanções, as remissões e outras graças. A mesma provê a que nas Basílicas Patriarcais de Roma haja um número suficiente de Penitencieiros, dotados das oportunas faculdades. Ao mesmo Dicastério é atribuído tudo o que concerne à concessão e uso das indulgências, salvo o direito da Congregação da Doutrina da Fé de examinar tudo o que se refere à doutrina dogmática a elas atinente" (artigos 117-120).


SACERDOTE DEVE ESTAR PRÓXIMO TAMBÉM DE QUEM NÃO CRÊ

Notícias: Nacionais

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Sacerdote deve estar próximo também de quem não crê - 18/11/2009 - 14:00
“A verdadeira missão do sacerdote inclui habitar ativamente em todo o território de sua paróquia e ser amorosos e próximos inclusive das pessoas que não crêem”. É o que recomenda a Conferência Episcopal Italiana no comunicado final da Assembleia de Assis, difundido ontem.

Quase na metade do Ano Sacerdotal convocado por Bento XVI em junho passado, a CEI recorda que entre as virtudes de um padre, está a misericórdia, que paradoxalmente é hoje esquecida, em meio à cultura intolerante e transgressiva tão comum. “Percorrendo o caminho da misericórdia, será possível manifestar o nosso amor àqueles que não crêem”.

Em muitos âmbitos, nota-se que a presença do sacerdote é hoje solicitada também pelos chamados ‘afastados’. A nota da CEI observa que esta presença é assegurada por muitos padres, aos quais os bispos expressaram ‘gratidão e admiração’, destacando o serviço discreto que desenvolvem nas paróquias e nos vários contextos pastorais: o caminho seguro para garantir a proximidade da Igreja a todas as realidades.


UM SACERDOTE NÃO PODE VIVER SEM ORAÇÃO

» Notícias

09/12/2009 - 21:09 - Mensagem Vaticana: Um sacerdote não pode viver sem oração

Carta do prefeito da Congregação para o Clero aos presbíteros






Sem a oração, o sacerdote não pode viver, reconhece o cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, em uma carta enviada este mês aos sacerdotes, por ocasião do Ano Sacerdotal.


“Não é difícil de entender, porque a oração cultiva a intimidade do discípulo com seu Mestre, Jesus Cristo. Todos sabemos que, ao esvaecer-se a oração, debilita-se a fé e o ministério perde conteúdo e sentido.”


“A consequência existencial para o presbítero exprime-se em menor alegria e felicidade no ministério quotidiano. É como se o presbítero, ao seguir os passos de Jesus, lado a lado com tantos outros, perdesse o passo no caminho, ficando sempre mais para trás e mais distante do Mestre, até perdê-lo de vista no horizonte. A partir de então, caminha sem rumo e vacilante.”


Mas a falta de oração não afetará somente o presbítero, e sim toda a sua comunidade eclesial, já que “sem pastores, nossas comunidades serão destruídas!”.


“A exemplo de Moisés, deve permanecer de braços erguidos ao céu, em oração, para que o povo não pereça”, assegura.


“Por esta razão, para continuar fiel a Cristo e à comunidade, o presbítero precisa ser homem de oração, homem que vive na intimidade do Senhor. Necessita, além disso, ser confortado pela oração da Igreja e de cada cristão”, afirma.


“As ovelhas devem rezar por seu pastor! Mas, quando este se dá conta que sua própria vida de oração enfraquece, é hora de dirigir-se ao Espírito Santo e implorá-lo com ânimo de pobre. O Espírito reacenderá o fogo em seu coração. Reacenderá a paixão e o encanto para com o Senhor.”


ANO SACERDOTAL - ORAÇÃO EM ROMA

Ano Sacerdotal: Oração em Roma - 04/11/2009 - 11:12
Prosseguem na Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma, as horas eucarístico-marianas organizadas pela Congregação para o Clero para a santificação dos sacerdotes, no âmbito da celebração do Ano Sacerdotal. Os encontros de oração tiveram início no último dia 1º de outubro e prosseguirão regularmente com o segundo encontro nesta quinta-feira, 5 de novembro, às 16h.

A experiência do primeiro intenso encontro, refere uma nota assinada pelo Secretário da Congregação para o Clero, Dom Mauro Piacenza, “favoreceu o sentido intenso da comunhão eclesial”. “É muito significativo – prossegue o secretário – rezar por aqueles que Jesus chama de amigos diante da Sua presença eucarística, escorrendo com um profundo sentido de paz os mistérios da salvação junto com Maria Santíssima na Basílica Papal a Ela dedicada”.

O convite à participação é dirigido, antes de tudo, aos sacerdotes e aos seminaristas do clero secular e regular, mas também às religiosas e a todos os fiéis leigos que – lê-se na nota – “conscientes do papel fundamental do Sacerdócio ministerial na sociedade e para a promoção do mesmo sacerdócio batismal, pretendem sustentar com a oração, com o sacrifício e com a colaboração a causa da santificação dos seus sacerdotes e o ardor missionário de seu ministério”.

Última Alteração: 11:12:00

Fonte: Rádio Vaticano
Local:Roma


OS PADRES DA IGREJA CONTRA A MAGIA

Os Padres da Igreja Contra a Magia - 26/10/2009 - 10:48
“Os Padres da Igreja sobressaíam por sua capacidade de compreensão das coisas celestiais e pela agudeza de pensamento com que perscrutavam as profundidades da Palavra de Deus”.(Papa Pio XII)



O Ensinamento dos Padres da Igreja
Escreve a antropóloga Cecília Gatto Trocchi, no seu livro A magia: “Os Padres da Igreja consideram a magia como um mentira, não necessariamente no sentido de que os magos e os feiticeiros produzem os seus efeitos evocando e empregando aquelas forças negativas mentirosas e demoníacas que Cristo havia submetido ao seu domínio. O exercício das artes mágicas significa, portanto, não reconhecer a mensagem de salvação de Cristo e empreender uma relação privilegiada com Satanás, tomando em um determinado sentido o lugar de Deus. A magia torna-se a decisão de prolongar a eficácia dos demônios para além dos limites concedidos no tempo da salvação, que se iniciou com Cristo além dos meios sacramentais transmitidos por Jesus á sua igreja”.



O ensinamento dos antigos Padres da Igreja, gregos e latinos, estava baseado sobre a eficácia da redenção operada pela cruz de Jesus Cristo: agente se defende com a cruz, não com amuletos e encantamentos, repetia São João Crisóstomo nas suas Catequeses para os neófitos: “A cruz de Cristo destruiu a morte, derrotou o pecado, esvazio o inferno, venceu o poder do demônio. (...) A cruz fez ressurgir o mundo interior, e tu não confiaste? Um cristão deveria envergonhar-se e ruborizar-se por ter deixado seduzir pelo encantamento da magia”.Esta – afirma o próprio Crisóstomo na pregação de Ano Novo - é “uma maluquice extrema”; “o uso dos amuletos é idolatria completa” afirma também no seu comentário a Carta aos Colossenses.



Também Santo Agostinho, nascido e crescido em ambiente egípcio de cultura helenista, falando sobre a encarnação do Verbo, menciona a magia como “loucura”, visto que a humanidade é mesmo o cosmos foram libertados do medo depois da vinda de Cristo e da sua vitória redentora na cruz:
Uma vez tudo (no paganismo) estava cheio de erro dos oráculos. Os oráculos de Delfos e de Dodona, da Beócia, da Lícia, da Libía e do Egito, os oráculos da Pítia enchiam de pasmo a fantasia dos homens.



Portanto, desde quando Cristo foi anunciado em toda parte, cessou esta maluquice e entre eles não se encontra ninguém que profetize. Outrora os demônios iludam os homens apossando-se das fontes, dos rios, das árvores e das pedras, e com os seus sortilégios aturdiam os néscios. Agora, ao invés, depois da revelação divina do Logos (de Jesus Cristo), esta vã aparência cessou: com um simples sinal-da-cruz o homem lhe descobre o engano. (...) E que dizer da sua magia que tanto admiravam?



Antes que chegasse entre nós o Logos, era poderosa e operante entre os egípcios, os caldeus e os hindus, e maravilha os espectadores; mas a presença da verdade e da revelação do Logos condenou a magia e a suprimiu.



Escreve Santo Agostinho: “As predições dos espíritos demoníacos são devidas a habilidades particulares, bem diversas daquelas que consentem aos santos anjos e aos profetas de Deus realizar suas. De fato estes, se anunciam alguma coisa, fazem-no por disposição divina e depois de ter escutado, assim é que não enganam nem são enganados, e as suas previsões conseqüentemente são verdadeiras e dignas da máxima consideração. Ao invés, os espíritos demoníacos não só se enganam, mas fazem cair no erro também os outros. Enganam-se, acima de tudo, porque quando predizem as próprias pretensões, estas são imprevistamente transtornadas pelo Alto. Um pouco como se homens, submetidos a uma outra autoridade, depois de terem dispostos a execução de alguma coisa, vêem-na proibida, depois de longa peroração, imediatamente pelos seus superiores. Os espíritos demoníacos erram nas questões naturais tal qual acontece aos médicos, aos marinheiros e aos camponeses, mas estão em condições – graças às características dos seus corpos aéreos – de conhecer antecipadamente muitas coisas de maneira mais aguda e poderosa; mas também estas coisas passam por imprevistas variações por causa de disposições por eles completamente ignoradas, mas não pelos anjos que adoram o sumo Deus.



Tudo isto assemelha-se um pouco ao caso daquele médico que, depois de ter diagnosticado ao doente uma pronta cura, com base em sintomas precedentes, o vê morrer improvisamente por algo não previsto; ou também o caso do marinheiro que, depois de ter calculado a duração de uma tempestade de ventos, vê Cristo – enquanto navega com os seus discípulos – mandar aos ventos furiosos que se acalmem, com as seguintes palavras: “E fez-se uma grande calmaria” (Mt 8,26); de maneira semelhante como acontece ao agricultor que, depois de ter visto, graças a seu conhecimento da terra e das sementes, um belo enxerto das videiras em condições de frutificar abundantemente, ver, por uma imprevista variação climática, secar tudo ou até mesmo destruir-se tudo pelo capricho de um poderoso. Assim estão, portanto, as coisas em relação às capacidades adivinhatórias dos espíritos demoníacos, os quais, mesmo prevendo alguma coisa com base em causa menores e habituais, vêem tornar-se vãs as suas previsões, por causas mais importantes e desconhecidas” (Santo Agostinho, De divinatione daemonum, cap. VI).
“Os demônios não pode fazer mais do que lhe é permitido”, dizia Santo Agostinho.



Santo Tomás de Aquino, um dos maiores teólogos da História da Igreja, afirma na Suma Teológica: “Os Santos Padres escrevem que os demônios têm poder sobre os corpos e sobre a imaginação do homem, segundo a permissão de Deus. Eis porque os feiticeiros, com a sua ajuda, podem fazer malefícios. Na Sagrada Escritura o apóstolo Paulo coloca as “idolatrias e as feitiçarias” entre as obras “daqueles que não podem herdar o reino de Deus” (cf. G1 5,20) e o apóstolo João recorda que é reservado “o tanque ardente de fogo e enxofre” aos feiticeiros e idólatras (cf. Ap 21,8)”.



São Pedro Apóstolo exorta com afinco sobre a tentação do diabo: “Sede sóbrios e vigilantes! Eis que o vosso adversário, o diabo, vos rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firme na fé, sabendo que a mesma espécie de sofrimento atinge os nossos irmãos espalhados pelo mundo” (1 Pd 5, 8.9).



CONTRA OS EMBUSTES



O exorcista italiano, escritor e padre Francesco Bamonte escreve: “A diminuição da espiritualidade, ligada à descristianização do mundo moderno, parece arrastar o homem exatamente para aquele ralo de insegurança existencial, de medo e de falta de confiança, do qual o cristianismo havia libertado o mundo”. Tornam-se então admoestadoras as palavras do cardeal Joseph Ratzinger, (papa Bento XVI) citadas expressamente na Nota Pastoral dos bispos toscanos: “A Cultura atéia do Ocidente moderno vive ainda graças à libertação do medo aos demônios trazidos pelo cristianismo. Mas se esta luz redentora de Cristo precisasse apagar-se, mesmo com toda a sua sabedoria e com toda a sua tecnologia o mundo recairia no terror e no desespero: já vemos sinais deste retorno das forças das trevas, enquanto crescem no mundo secularizado os cultos satânicos”.



O insigne padre Bamonte convoca os cristãos para lutar contra os embustes, charlatanices dos operários do diabo e de todo o sistema satânico.É nosso dever proclamar a verdade que liberta o ser humano de todo engano religioso. (Jo 8, 32-36).“Levar os homens à verdade é o maior benefício que se pode prestar aos outros”, afirma Santo Tomás de Aquino. Jesus Cristo é a única verdade absoluta que liberta e salva o ser humano de toda magia, espiritismo, bruxaria, satanismo, da teologia da prosperidade, das seitas, das heresias e de todo sistema da Nova Era.Como cristãos batizados temos o poder da Santíssima Trindade, a remissão pelo sangue de Cristo, a fortaleza do nome de Jesus, a proteção na Cruz do Salvador, a graça da salvação, a vitória por meio da fé, a força do amor para o bem do próximo, a tranqüilidade da paz do Senhor, a justiça como Lei para o bem comum e a Palavra de Deus para levar a Boa Nova ao mundo inteiro.
O cristão é detentor das armas mais poderosa do universo para transformar a humanidade. Foi Cristo que disse: “Eis que eu vos dei o poder de pisar serpentes, escorpiões e todo o poder do Inimigo, e nada poderá vos causar dano” (Lc 10,19).



Os Santos Padres da Igreja foram vitoriosos e verdadeiros exemplos de seguidores de Cristo devido à posse das virtudes espirituais.
Nos Padres da Igreja podemos contemplar o zelo ardente pela formação espiritual, pela defesa da fé, a unidade da Igreja e o poder da comunhão eucarística.
A formação catequética para o discípulo era demorada devido que a ‘graça’ não era algo barato. A doutrina da graça para os Padres da Igreja era o tesouro único da Salvação da alma (Ef 2, 8.9: Tt 3,7).



No paganismo as doutrinas eram terrenas, perniciosas e baratas. Diferente da doutrinas de Jesus Cristo que era celestial, Justa, amorosa e de alto valor que custou o precioso sangue do Filho de Deus (1Pd 1,18-20). “COM TEU SANGUE ADQUIRISTE PARA DEUS GENTE DE TODA TRIBO, LÍNGUA, POVO E NAÇÃO” (Ap 5,9). Os Padres da Igreja sabiam e viviam os escritos dos Santos Apóstolos de Cristo, por isso seu zelo pela graça era fundamental para a moral Cristã, fidelidade da doutrina e a fortaleza da fé até ao martírio. É imensurável, belo e colossal a vida e os ensinos dos Padres da Igreja. Os Padres da Igreja, os Doutores e os Santos são os nossos heróis da fé. A vida dos Padres da Igreja resplandece a luz de Cristo no caminho da vida ativa e contemplativa.



Já dizia Santo Afonso de Ligório: “A verdadeira sabedoria é a sabedoria dos santos: saber amar a Jesus Cristo”.
Como era por demais evangélico o desprendimento dos Padres da Igreja pelas coisas materiais. A sua visão de riqueza era a graça de Cristo e as moradas eternas.
Eram homens cheios de fé, de sabedoria e do Espírito Santo. Suas vidas eram tomadas pela divina misericórdia. O amor era o triunfo de suas almas. Da obediência ao sacrifício: tudo era por amo. Para eles a maior vitória era vencer suas tentações interiores. Renunciar sempre a carnalidade era a meta constante desses Santos Homens de Deus. Os desafios e lutas eram vencidos pelos poderes da oração, jejum, silêncio e da Palavra de Deus.



CONCLUSÃO



Tudo já foi dito pelos Santos Padres da Igreja para nossa doutrinação da fé, para nossa formação espiritual e para a nossa salvação eterna.
Resta tão somente estudar com profundamente para adquirir conhecimento, fortaleza da graça e evangelizar o mundo.
Os Padres da Igreja são portos seguros da nossa fé católica e seus escritos são marretas que estraçalham as seitas, heresias e todo tipo de magia.
Os tesouros da doutrina cristã, da espiritualidade, do amor ardente ao Senhor Jesus Cristo e a mística abissal encontram-se nos Padres da Igreja.
De suas vidas podemos seguir o fiel modelo de oração, jejum, meditação, estudo da Palavra de Deus, fidelidade à doutrina e a Igreja de Cristo e a gloriosa esperança da vida eterna.
Vamos mergulhar a fundo e com total radicalidade nos estudos dos Santos Padres da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.




E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com



Bibliografia:



Bamonte, Francisco. Magia ou ciência? Como libertar-se da superstição, da feitiçaria e dos charlatões, São Paulo: Editora Ave Maria, 2005, pp. 122-124.



__________Possessões diabólicas e exorcismo: como reconhecer o astuto pai da mentira, São Paulo: Editora Ave-Maria, 2007, p.19.



Aquino, Felipe Rinaldo Queiroz de. Na escola dos Santos Doutores, Lorena, SP: Cléofas, 1996.



Figueiredo, Fernando, Antônio. Introdução à Patrística: vida, obra e doutrina cristã nos primeiros anos da Igreja, Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.


DOENTES SÃO CONVIDADOS A OFERECER SOFRIMENTOS PELOS SACERDOTES

14/10/2009 - 15:40 - Doentes são convidados a oferecer sofrimentos pelos sacerdotes

A Santa Sé, através do presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde, Dom Zygmunt Zimowski, pede aos enfermos do mundo que, neste Ano Sacerdotal, ofereçam suas orações e sacrifícios especialmente aos sacerdotes.
O convite está na carta publicada, no dia 1º de outubro, pelo arcebispo polonês Zygmunt Zimowski, presidente do Pontifício Conselho da Pastoral para os Agentes de Saúde.
“Sinto-me próximo de cada um de vocês e convido todos os irmãos e irmãs enfermos a dirigir incessantemente suas orações e o oferecimento de seus sofrimentos em favor da santidade de seus amados sacerdotes, a fim de que desempenhem com entrega e caridade pastoral o ministério que Cristo, Médico do corpo e da alma, lhes confiou”, escreve o arcebispo.
Dom Zygmunt convida ainda os que sofrem e os doentes a redescobrirem a beleza da oração do Santo Rosário para o benefício espiritual dos sacerdotes, em particular no mês de outubro. “Ao lado da pessoa doente, o padre simboliza o próprio Cristo, Médico Divino, que não é indiferente ao destino daquele que sofre”.
“Através dos sacramentos da Igreja administrados pelos sacerdotes, Jesus Cristo oferece ao doente a cura da reconciliação e o perdão dos pecados, por meio da unção com o óleo sagrado e da Eucaristia. Na pessoa do sacerdote, está presente junto ao enfermo o próprio Cristo, que perdoa, cura, consola, segura sua mão e diz: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê e mim, não morrerá jamais".
A seguir, o arcebispo pede orações especiais pelos sacerdotes enfermos e provados no corpo, pela beatificação e canonização do Servo de Deus João Paulo II, e pelas santas vocações sacerdotais e religiosas.
Dom Zimowski recorda também aos enfermos que, ao orar pelos sacerdotes, é possível obter indulgências especiais neste ano.


O SACERDOTE É O HOMEM DO FUTURO

Notícias: Internacionais

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Papa: "O sacerdote é o homem do futuro" - 29/09/2009 - 14:47 "O sacerdote é o homem do futuro": foi o que disse o Santo Padre aos participantes do retiro internacional para sacerdotes que se realiza em Ars, cidade de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, na França.

O tema do encontro é "A alegria do sacerdote consagrado para a salvação do mundo". A iniciativa se realiza por ocasião do Ano Sacerdotal proclamado por Bento XVI em junho passado.

Os participantes estão refletindo sobre a função do sacerdote à luz de São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, e São João Maria Vianney. O papa ressaltou que o sacerdote deve ser "um bom pastor, um bom pastor segundo o coração de Deus" - disse o Santo padre usando as palavras de São João Maria Vianney.

Bento XVI disse ainda que o sacerdote "é um grande tesouro que Deus pode conceder a uma paróquia. Ele é um dos preciosos dons da misericórdia divina". O papa disse ainda que o sacerdote é o homem do futuro porque é aquele que prega Jesus ressuscitado e ajuda o povo a fortificar a fé na Eucaristia, fonte da verdadeira alegria.

Já o cardeal–arcebispo de Viena, Christoph Schönborn, sublinhou "que a finalidade do sacerdócio é conduzir os homens à felicidade da vida divina" e o prefeito da Congregação para o Clero, Cardeal Claudio Hummes, convidou os sacerdotes a "reiniciar a partir de Cristo", como exortou muitas vezes Santo padre.

Última Alteração: 14:47:00

Fonte: Rádio Vaticano
Local:Cidade do Vaticano


ANO SACERDOTAL

Ano sacerdotal - 25/09/2009 - 16:28

Por esses dias, decepcionei-me com a leitura de um artigo escrito por um conhecido meu, em que descrevia os motivos pelos quais deixou de ser católico, e aproveitava para atacar publicamente a Igreja, questionando o porquê dos padres não poderem se casar, atribuindo ao celibato a causa da pedofilia alardeada pela mídia. Fiquei triste, pois se trata de alguém por quem tenho consideração, no entanto, não posso concordar com seus argumentos. Ele conta que foi impedido de entrar na Igreja num dia de festa (casamento de gente importante), em função de sua vestimenta. Se isso aconteceu, com certeza não foi o pároco quem tomou essa iniciativa, mas provavelmente os próprios convidados ou alguém a mando deles, já que o articulista não fazia parte do rol de amigos e parentes dos nubentes. Pra mim isso não é motivo para mudar de religião, mas aceito que ele faça uso de seu livre arbítrio.



O que achei complicado foi lidar com a artilharia contra os padres e seu celibato. Ora, faz anos que trabalho no judiciário. Posso assegurar, sem sombra de dúvida, que praticamente todos os pedófilos que atendi eram casados. A pedofilia não está atrelada à ausência da prática sexual, e sim a um distúrbio na sexualidade. O fato dos padres serem privados da convivência marital de forma alguma os predispõe à pedofilia. Ocorre que, mesmo entre eles, existem aqueles que apresentam distúrbios de ordem sexual, assim como existem os que apresentam distúrbios neurológicos, digestivos, psiquiátricos, urinários e outros tantos que acometem a espécie humana. Portanto, “focinho de porco não é tomada”, como quis justificar o autor do texto. Mas, não vou me alongar nesse assunto.



Aproveitei essa introdução para convocar toda a família católica a participar ativamente deste ano sacerdotal. Em conformidade com as palavras do Bispo de Lamego, Dom Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, “será privilegiada oportunidade para recordarmos grandes testemunhos de sacerdotes que nos marcaram e dedicaram generosamente toda a existência ao ministério”. Também é momento de dignificar a função, impondo o respeito necessário e tão faltoso nos dias atuais. A satisfação de nossos sacerdotes e a realização dos mesmos no exercício do seu ministério pressupõe a oração, a estima e a colaboração dos cristãos que os acompanham. Já lhes pesa serem em número reduzido diante de tanto trabalho; muitos sobrecarregados ainda com a idade avançada e a pouca saúde. Não é justo que sejam discriminados pela mídia, que generaliza condutas isoladas, ou por pessoas desinformadas.



Este ano sacerdotal deve ser momento de recolhimento e reflexão, mas também de preparo e encorajamento para novos posicionamentos, vencendo a timidez no exercício ministerial. Fazendo minhas as palavras do Bispo do Porto, Dom Manuel Clemente, “neste ano sacerdotal, somos chamados a avivar e aprofundar as verdades fundamentais e constitutivas da vida da Igreja e do seu serviço ao mundo”; “cada padre é chamado a ser sinal vivo de Cristo sacerdote no meio dos seus: obediente ao Pai, porque da vontade do Pai se alimenta; celibatário, pois tudo nele se sublima na dedicação imediata à grande família dos filhos de Deus; desprendido de bens e amarras, pois vive do único necessário que por fim nos saciará a todos”. “Cada sacerdote é um dom imenso oferecido por Deus a uma Igreja que não poderá se resumir à mera instituição humana (benemérita que seja); Igreja que promete e ganha, pela graça de Cristo sacerdote, aquela dimensão total que define a verdadeira filiação divina”.



Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com)


E QUANDO O PADRE PRECISA DE AJUDA?

16/09/2009 - 21:28 - E quando o padre precisa de ajuda?

O primeiro dever de um padre é crer no seu próprio mistério


Outro dia, ao falar ao telefone com uma pessoa muito próxima a mim, meu coração sacerdotal ficou pensativo e me questionei sobre como tenho vivido minha vida e minha vocação. Ela dizia: “Acabei de sair da Santa Missa e parece que estou pior do que antes; o padre estava tão seco e frio, que não sei se encontrei Jesus naquela celebração não fosse a Eucaristia. E o pior, padre Luizinho, muitas pessoas da assembleia saíram da celebração deste jeito!”. O que dizer nessa hora a essa pessoa e sobre essa situação?


Quero falar primeiro aos meus irmãos sacerdotes, pois conheço de cadeira a causa de seus corações, mergulhamos muitas vezes no ativismo, e por cansaço ou por falta de falar com Deus ficamos frios em nossa experiência de fé. Usando as palavras do Papa Bento XVI no discurso de abertura do Ano Sacerdotal: “Porque ninguém se anuncia nem se leva a si mesmo, mas, dentro e através da própria humanidade, cada sacerdote deve estar bem consciente de levar Outro, o próprio Deus, ao mundo. Deus é a única riqueza que, de modo definitivo, os homens desejam encontrar num sacerdote”.


“De fato, todo sumo sacerdote é tomado do meio do povo e representa o povo nas suas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados. Ele sabe ter compaixão dos que estão na ignorância e no erro, porque ele mesmo está cercado de fraqueza. Por isso, deve oferecer, tanto em favor de si mesmo como do povo, sacrifícios pelo pecado. Ninguém deve atribuir-se esta honra, senão aquele que foi chamado por Deus, como Aarão” (cf. Hb 5,1-4).


Meus queridos sacerdotes, é claro que os Sacramentos não precisam “de mais ou menos” dignidade nossa para serem válidos, mesmo que eu e você estejamos em situação de pecado, frios, secos, o Sacramento é válido, pois é Cristo que age em nós. É Jesus quem celebra e preside a assembleia dos irmãos, mas em tudo isso Ele não dispensa a nossa humanidade, pelo contrário, quis o Seu Coração Divino continuar no nosso coração humano agindo pela salvação e santificação de Sua Igreja. E me faço a seguinte pergunta: o Sacramento é valido, mas é eficaz? Será que eu estou dando mais de mim e de minhas palavras do que do próprio Cristo?


O brilho do Sacramento “depende” de sua santidade sacerdotal. O sacerdócio é de Cristo e não nosso. Que tudo o que eu fizer para salvar o povo, não me condene; ser padre é estar com a sua alma em constante perigo. Somos chamados a viver essa união entre Deus e o humano, como Cristo, a ser sacerdotes-pontes: filhos de Deus e irmãos dos homens, a experimentar essa constante “tensão espiritual” entre a miséria de nossa realidade e a grandeza de nossa vocação e eleição. Nós estamos num processo de santificação, em constante processo de “tensão espiritual”. Seremos uma corda tencionada entre a grandeza daquilo a que somos chamados e a miséria daquilo que somos, e isso sempre desperta a nossa consciência. Nosso modelo é o coração sacerdotal de Jesus: “manso e humilde”. Veja o que li, nestes dias, no retiro dos padres Canção Nova do Cardeal Albert Vanhoye, S.J..


“[...] A Carta aos Hebreus nos ajuda a perceber que as duas qualidades do Coração de Jesus, “manso e humilde” (cf. Mt 11,29), correspondem às duas dimensões da mediação sacerdotal entre Deus e nós. O coração “manso e humilde” de Jesus é um Coração sacerdotal, o coração de nosso sumo-sacerdote, “mediador de uma nova aliança” (cf. Hb 9,15), estabelecida nos corações (cf. Hb 8,10; Jr. 31,33). As duas qualidades que o caracterizam correspondem às duas relações, com os homens e com Deus, necessárias para a mediação sacerdotal” (CONGRESSO TEOLÓGICO-PASTORAL – ROMA 2007; “O Coração sacerdotal de Cristo une-nos a Deus”).


O sacerdote é alguém que se entregou, como Cristo, para a salvação do seu povo. Nós temos que viver sacramentalmente, ou seja, aquilo a que o povo é chamado a viver pelo batismo: a entrega. Nós somos o Coração de Cristo à disposição de todos. O coração do padre precisa estar ligado ao de Jesus para ser esse sinal, precisa ser amigo de Deus para saber ser amigo dos homens.


Voltando a falar do texto do Cardeal Albert Vanhoye, as duas disposições do Coração sacerdotal de Cristo: um coração filial com Deus Pai e um coração fraterno com as pessoas humanas. O saudoso Papa João Paulo II afirmou, num pronunciamento, a sacerdotes em uma de suas viagens: “O primeiro dever de um padre é crer no seu próprio mistério”.


Muitas vezes, quando me encontro sem vida interior, ou seja, sem oração, por muitos motivos, falo mais “de” Deus do que “com” Deus. Então, nessas ocasiões, nas Celebrações Eucarísticas e na pregação da Palavra dou mais de mim do que de Cristo, Aquele a quem os fiéis vêm buscar quando recorrem ao sacerdote. Por essa razão, é indispensável, na nossa vida de sacerdotes, que privilegiemos a intimidade com o Coração sacerdotal de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como, a direção espiritual, amizades adequadas e maduras, o contínuo e consciente caminho de conversão. Para produzirmos em nós sinais de vida divina, pois ficamos numa “saia justa” quando temos de falar que padres e bispos precisam de conversão, de oração, alegria, força, equilíbrio, liberdade, desinteresse, discrição, verdade, pobreza, misericórdia, sentido de Igreja... “Precisamente em vista de favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual, sobretudo, depende a eficácia do seu ministério, decidi proclamar um especial "ano sacerdotal"” (DISCURSO DO PAPA BENTO XVI, na abertura do Ano Sacerdotal, 16 de março de 2009).


Para os nossos queridos filhos espirituais, gostaria de falar sobre o objetivo do Ano Sacerdotal para os leigos: Todos nós somos chamados à santidade e os sacerdotes, como nos diz a Segunda Carta aos Coríntios 4,7: “Porém, temos este tesouro em vasos de barro, para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós”. Assim, meus queridos irmãos, vocês precisam olhar para nós e colaborar para que nós entendamos que somos esse mistério, com o seu amor por Jesus e pela Igreja, sendo amigos e verdadeiros conosco, servindo a Cristo e não a nós, buscando a santidade e nos tratando com respeito, deixando-nos claro que todos caminhamos para o mesmo lugar: o céu. E, principalmente, na oração, assumam um sacerdote e rezem por ele, ofereçam a Deus seus sacrifícios e orações para que ele [sacerdote] volte à tensão espiritual, ou seja, para sua santidade.


Oração pelos Sacerdotes: Senhor Jesus, presente no Santíssimo Sacramento do Altar, que vos quisestes perpetuar entre nós por meio de vossos sacerdotes, fazei com que suas palavras sejam somente as vossas, que seus gestos sejam os vossos que sua vida seja o fiel reflexo da vossa.


Que eles sejam os homens que falem a Deus dos homens e falem aos homens de Deus. Que não tenham medo de servir, servindo a Igreja como ela quer ser servida.


Que sejam homens, testemunhas do eterno nosso tempo, caminhando pelas estradas da história com vosso mesmo passo e fazendo o bem a todos.


Que sejam fiéis aos seus compromissos, zelosos de sua vocação e de sua entrega, claros reflexos da própria identidade e que vivam com alegria o dom recebido.


Tudo isso vos peço pela intercessão de vossa Mãe Santíssima: ela que esteve presente em vossa vida, esteja sempre presente na vida dos vossos sacerdotes. Amém


Minha bênção fraterna.






Padre Luizinho


Sacerdote Canção Nova


DEPOIMENTO DE UM PADRE

08/2009 - 19:58 - Depoimento de um padre

Minha vida se tornou uma experiência constante de evangelização


A tarde era bela, os raios do sol cobriam a cidade. O coração ansioso, confiante e agradecido. Oito de dezembro de 2005, dia em que me tornei padre, me vem à mente como se fosse hoje. Algumas horas antes da minha ordenação, a experiência foi marcante: procurava uma definição simples e concreta da palavra “padre” e me veio ao coração, como um raio de luz, o verso bíblico que diz: “Cristo passou a sua vida fazendo o bem” (Atos dos Apóstolos 10,38b). A definição que emergia no meu interior naquele momento era: ser padre é alguém que, a exemplo de Cristo, passa a vida fazendo o bem.


Vejo, no concreto, que a oportunidade que tenho de fazer o bem é constante: ao saudar as pessoas, ao sorrir e ao olhar em seus olhos. No abraço amigo, ao atendê-las em confissão, nas visitas às famílias; ao estar com os mais pobres, com os enfermos e ao celebrar com devoção a Santa Missa.


Percebemos que a partir do momento em que o sacerdote não vive somente para si mesmo, e não retém a sua vida e seu ministério, mas os entrega para Deus, para a Igreja e a cada pessoa encontrada, ele se torna esse benfeitor e promotor da paz e do bem.


Andando um pouco pelo território das minhas recordações, lembro-me do saudoso Dom Aloísio Lorscheider, um grande mestre na arte teológica, ensinando-nos de maneira exemplar, em suas aulas de Teologia, que o padre “é o maior benfeitor da humanidade”. Com suas aulas inesquecíveis e sua presença marcante, conseguiu esculpir em nós as marcas do amor aos estudos e à vocação; marcas estas que se tornaram memoráveis, eternas...


A nossa Igreja, em seu rico acervo teológico, nos diz que o sacerdote é um sacrifício de um homem, um homem imolado, que se entrega livremente por uma causa: a fascinante causa do Reino de Deus, que é o maior bem que o próprio Deus coloca no coração e nas mãos de cada um de nós.


Sou um ser humano mais feliz como padre, por vários motivos, um deles é que Deus me ama e me chama a evangelizar e eu sempre gostei disso, sempre gostei de promover o bem extraordinário da proposta do Reino de Deus e do anúncio do amor entre as pessoas. Desde adolescente eu já evangelizava nas escolas, nos grupos de jovens e nas famílias. E como padre posso evangelizar ainda mais, ou melhor, minha vida se tornou uma experiência constante de evangelização.


A evangelização está em mim e ou não me vejo mais sem ela, evangelizar é viver para mim. Eu me recordo agora de uma frase belíssima de Dom Bosco a respeito da evangelização: “Por eles eu rezo, eu estudo, e por eles me santifico”.


Os desafios são grandes e as lutas são constantes, por isso, não deixamos de nos motivar pelos versos da canção que persiste em dizer: “Pois sei que para além das nuvens, o sol não deixou de brilhar, só porque a terra escureceu, minha vida está em Deus” ancorando-nos sempre na certeza de que a graça de Deus é maior e nos conquista a cada dia.


Outro motivo, é que ser padre me faz ser mais de Deus e mais dos outros, pois a vida do sacerdote é pertença de ambos. Ser mais do Senhor me conduz a ser mais dos outros e vice-versa.


É uma grande graça ser feliz na comunidade, estamos juntos, juntos queremos ser concretos no bem, formamos um exército de promotores da solidariedade, da justiça, da paz.


Por aqui aprendemos com Dom Alberto que “a vida se torna mais bela quando se torna um dom para os outros”. É nessa certeza, nesse belo desafio que caminhamos e seguimos sem parar, porque, para nós, parar é voltar atrás. Por isso é que navegamos nos versos da canção que nos diz: “não dá mais pra voltar, o barco está em alto-mar”.


Pe. Geraldo - Com. de Aliança Canção Nova
Padre da Aquidiocese de


PAPA EXPLICA PREDILEÇÃO DE NOSSA SENHORA PELOS SACERDOTES

12/08/2009 - 18:18 - Papa explica predileção de Nossa Senhora pelos sacerdotes

O Papa Bento XVI recordou a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora celebrada em toda a Igreja no próximo sábado, 15. Aqui no Brasil, a data é celebrada liturgicamente no domingo.

O Pontífice falou sobre a relação que existe entre Maria e o sacerdócio, que segundo ele, está profundamente enraizada no mistério da Encarnação. "Sacrifício, sacerdócio e Encarnação estão juntos e Maria está no centro deste mistério", destacou.

Ao referir-se à atitude de Jesus na cruz, que entregou sua Mãe aos cuidados do apóstolo João, e este aos cuidados Dela, o Papa explicou o profundo significado de levar Maria para sua própria casa e a predileção da Virgem Santíssima pelos sacerdotes. "Tomar consigo Maria, significa, introduzi-la no dinamismo da própria e inteira existência – não é algo exterior – e em tudo o que constitui o largo horizonte do próprio Apostolado. Me parece que isto torna compreensível o peculiar relacionamento de maternidade existente entre Maria e os presbíteros, nisto constitui a fonte primária, e o motivo fundamental da predileção que ela nutre por cada um deles".

Bento XVI disse que a predileção de Maria pelos sacerdotes acontece por dois motivos: "porque são mais semelhantes a Jesus, amor supremo de seu coração; e porque também eles, como Ela, estão empenhados na missão de proclamar, testemunhar e dar Cristo ao mundo. Pela própria identificação e conformação sacramental a Jesus, Filho de Deus, Filho de Maria, cada sacerdote pode e deve sentir-se verdadeiramente filho predileto desta altíssima e humildíssima Mãe".

E lembrou que o Concílio Vaticano II convida os sacerdotes a olharem Nossa Senhora como modelo perfeito da própria existência e que os presbíteros "devem portanto venerá-la e amá-la com devoção e culto filial".

O Santo Padre convidou todos os fiéis a rezarem para que, diante dos problemas atuais, Maria torne os sacerdotes "conforme à imagem de seu filho Jesus e, dispensadores do tesouro inestimável do seu amor de Bom Pastor".

Ao final da Catequese, Bento XVI recordou as vítimas dos desastres naturais que, nos últimos dias, provocaram várias mortes em localidades da China, Filipinas, Japão e Taiwan.


POR QUE O PADRE NÃO CASA?

Celibato é uma entrega total e amorosa ao Reino de Deus
Quando ouço alguém dizer ou mesmo me perguntar: “Por que padre não se casa?” Eu poderia repetir a pergunta de outro jeito: Por que você se casou ou por que você está solteiro? Por que você é professora ou advogado? Ou mãe de família? E assim por diante. Isso prova que toda vocação é um grande mistério entre Deus e o coração da pessoa por Ele convidada a abraçar um estado de vida. Não se esqueça que alguém pode ser feliz e realizado ou infeliz e triste pela escolha livre que fez. A vocação é assumida livremente e eu não fui obrigado a assumir o sacerdócio e o celibato.

O celibato não é uma castração nem uma proibição de casar ou outras coisas semelhantes. Celibato é uma entrega total e amorosa ao Reino de Deus e ao serviço do Seu povo. Neste estado de vida eu assumo e respondo livremente, pois a diferença não está tanto no exterior, mas está dentro de minha alma, foge de mim e de mim transborda.

Acredito que eu seja diferente somente pela escolha e pela consagração que Deus fez comigo, assim como você pode ser diferente naquilo que você é. Não posso negar: sou diferente de dentro para fora, sou consagrado, separado para ser todo de Deus, para ser todo das pessoas, da missão, da Igreja. O celibato não limita o meu amor, pelo contrário, alarga-o até o infinito; não me prende a ninguém, mas me deixa livre para todos. É um desafio, pois continuo exatamente como todo homem: com sentimentos, dificuldades e pecados também, mas eu abracei a escolha que fiz: “Estou no mundo, mas não sou do mundo, nem sou como todo o mundo”.

O nosso mundo precisa exatamente de mim assim diferente e talvez seja isso que incomode e ajude tanto as pessoas.

Você aceita ser diferente assumindo a vocação que abraçou?

Eu fui conquistado por amor e por amor continuo todos os dias deixando-me conquistar: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que escolhe a vós”. Vocação é um mistério que eu vou descobrindo todos os dias um pouco mais.

Peço a você a permissão de ter uma vocação diferente e nela ser realizado e feliz. Como existem casais, jovens, professores, domésticas, médicos felizes e realizados em sua vocação, eu sou feliz e realizado por ser sacerdote e celibatário. Que bom que todo o mundo não é igual e não tem a mesma vocação, a diferença enriquece a vida e o mundo.

Como sempre dizemos: “As diferenças não são barreiras, mas sim, riquezas”. O mais importante é ser coerente e verdadeiro na diferença que assumimos em nossa vida.

Parabéns por você ser diferente e feliz!

O que diz o Catecismo da Igreja Católica (CIC), número §1579: “Todos os ministros ordenados da Igreja latina, com exceção dos diáconos permanentes, normalmente são escolhidos entre os homens fiéis que vivem como celibatários e querem guardar o celibato "por causa do Reino dos Céus" (Mt 19,12). Chamados a consagrar-se com indiviso coração ao Senhor e a "cuidar das coisas do Senhor", entregam-se inteiramente a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta nova vida a serviço da qual o ministro da Igreja é consagrado; aceito com coração alegre, ele anuncia de modo radiante o Reino de Deus”.

CIC §1599: “Na Igreja latina, o sacramento da Ordem para o presbiterado normalmente é conferido apenas a candidatos que estão prontos a abraçar livremente o celibato e manifestam publicamente sua vontade de guardá-lo por amor do Reino de Deus e do serviço aos homens” (Cf. Catecismo da Igreja Católica, números 1579/1580).

O celibato não limita o meu amor, pelo contrário, alarga-o até o infinito, não me prende a ninguém, me deixa livre para todos.

Oração: Senhor da messe e pastor do rebanho, faz ressoar em nossos ouvidos o teu forte e suave convite: “Vem e segue-me"! Derrama sobre nós o teu Espírito, que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho e a generosidade para seguir a tua voz. Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta as nossas comunidades para a missão. Ensina a nossa vida a ser serviço. Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino, na vida consagrada e religiosa.

Senhor, que o rebanho não pereça por falta de pastores. Sustenta a fidelidade dos nossos bispos, padres e ministros. Dá perseverança aos nossos seminaristas. Desperta o coração dos nossos jovens para o ministério pastoral na tua Igreja.

Senhor da messe e pastor do rebanho, chama-nos para o serviço do teu povo. Maria, Mãe da Igreja, modelo dos servidores do Evangelho, ajuda-nos a responder "sim". Amém

Minha bênção fraterna.

Padre Luizinho - Com. Canção Nova
blog.cancaonova.com/padreluizinho


BISPO PORTUGUÊS PEDE ORAÇÕES PELOS SACERDOTES

Bispo português pede orações pelos sacerdotes - 07/08/2009 - 13:51

O bispo de Lamego, Portugal, Dom Jacinto Tomás de Carvalho Botelho, publicou no site da diocese uma mensagem por ocasião do 150 anos da morte de São João Maria Vianney, o Cura D'Ars, que motivou o papa a proclamar o Ano Sacerdotal.



"Para todos nós, sacerdotes, o Ano Sacerdotal deve ser estímulo de revigoramento interior, de propósitos sérios e decididos de conversão e entrega ao Senhor que, não obstante a nossa miséria, nos chamou" – frisa o prelado.



Para os fiéis, prossegue Dom Botelho, esta iniciativa deve ser "motivo para agradecer o dom e mistério do sacerdócio e rezar intensamente pela santificação dos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais".



São João Maria Vianney é apresentado, neste contexto, como um modelo a ser imitado, alguém que se destacou "por meio de uma vida de oração, sacrifício, disponibilidade e zelo pelas coisas de Deus, que arrastou multidões àquela pequenina localidade, para experimentar a presença e a graça de Deus, nele palpável" - conclui Dom Botelho.






Última Alteração: 13:51:00

Fonte: Rádio Vaticano
Local:Lamego


SACERDÓCIO E EUCARISTIA: UNIDOS PELA MISERICÓRDIA

06/08/2009 - 18:14 - Sacerdócio e Eucaristia: unidos pela misericórdia

O povo tem o direito de ver Jesus Cristo na pessoa do sacerdote


Nós estamos celebrando o Ano Sacerdotal proclamado pelo Papa Bento XVI, iniciativa que teve início no último dia 19 de junho na Festa do Sagrado Coração de Jesus. Pensando neste mistério de vocação que é o sacerdócio, imediatamente penso para que essa vocação foi feita. O sacerdócio foi feito para a Eucaristia. O padre existe para a Eucaristia e ambos existem para a salvação do povo. Jesus, com o Coração mais generoso que a face da terra já viu, nos deu dois grandes presentes. Na Última Ceia, antecipando a Sua doação total, mesmo diante da traição e do mistério de dor pelo qual teria de passar para salvar o mundo das trevas do pecado e da e da morte, entrega aos discípulos o Sacramento do Amor: A Eucaristia. “A Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem. Neste Sacramento admirável, manifesta-se o amor maior: o amor que leva a dar a vida pelos amigos” (Bento XVI).

O sacerdócio e a Eucaristia nascem do mesmo lugar, das fontes misericordiosas do Coração de Jesus!. Nesse mesmo dia o Mestre “divide” o Seu sacerdócio com os Apóstolos e faz deles ministros do Sacramento do Amor, ministros do perdão, ministros da misericórdia. O vínculo intrínseco entre a Eucaristia e o Sacramento da Ordem é deduzido das próprias palavras de Jesus no Cenáculo: “Fazei isto em memória de mim” (Lucas 22,19). Nós sacerdotes usamos as mesmas palavras de Jesus quando instituiu o mistério de amor, porque somos os primeiros a estar no lugar de Cristo Jesus para a salvação do mundo. Portanto, o sacerdócio é um movimento Divino do Amor de Deus Pai, que continua agindo em Sua Igreja em todo tempo e o tempo todo. Onde um sacerdote, há a possibilidade do amor e da misericórdia de Deus se manifestarem pelo homem.

O lema do meu sacerdócio é: “Tudo posso naquele que me dá força” (Filipenses 4,13). A força do meu sacerdócio não vem de mim mesmo, mas a força do sacerdote vem da fonte pela qual ele oferece todos os dias torrentes de “Água Viva” ao povo fiel e sedento desse amor, que é Jesus. Eu busco a força para exercer minha vida como ministro desse Sacramento nas palavras que eu dirijo todos os dias ao Pai: “Tomai e comei, isto é o meu corpo; tomai e bebei isto é o meu sangue, sangue da nova e eterna aliança, para a remissão dos pecados, fazei isto em memória de mim!” As mesmas palavras de Cristo são fonte de vida, de salvação em primeiro lugar para mim, alimento substancioso para a minha intimidade com o Senhor e para servir ao povo de Deus, que procura no sacerdote não ele mesmo, mas Jesus Cristo, o seu Salvador.

O saudoso Papa João Paulo II disse para os sacerdotes em sua última carta na Quinta-feira Santa de 2005: “O povo tem o direito de ver Jesus Cristo na pessoa do sacerdote”. Essas palavras do Santo Padre ficaram gravadas em minha alma como uma missão, apesar de ser pecador e cheio de limitações como todo homem, eu não sou um homem comum, eu sou ministro do Sacramento do Amor e da Misericórdia. Cristo hoje e na Última Ceia se depôs do manto, sinal de Sua dignidade de Senhor, de Rei, para servir aos discípulos, para lavar os seus pés; esse gesto de humildade revela o caminho que o discípulo deve seguir: imitar o Mestre: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais à mesma coisa que eu fiz”. “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei” (cf. Jo13, 1-15). Aos sacerdotes, hoje, felicidades, força e que eles saibam que não estão sozinhos, pois disse o Senhor: “Eu estarei convosco todos os dias, até o final dos tempos!”.

Oração: Jesus sumo e eterno Sacerdote, dai-me a graça como padre de viver como o Senhor viveu e ser para o Vosso povo sinal vivo de Vossa misericórdia.


Maria, mãe dos sacerdotes, quero sempre estar sobre os teus cuidados na proteção do teu manto de mãe, pois sou o teu filho predileto. Quero estar imerso nestes dois mistérios para os quais eu fui feito: Sacerdócio e Eucaristia para que eu seja ponte para os meus irmãos do Amor misericordioso de Deus. Dá-me a graça da fidelidade de Cristo.


Eu sou feliz e realizado em minha vocação como sacerdote.


Minha bênção sacerdotal+


Padre Luizinho
Missionário Canção Nova


CARTA DE DOM CLAUDIO HUMMES AOS PRESBÍTEROS


Carta de Dom Claudio Hummes aos presbíteros - 03/08/2009 - 11:19
Jesus disse: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47).

Caros Presbíteros,
A atual cultura ocidental dominante, sempre mais difundida em todo o mundo, através da mídia global e da mobilidade humana, também nos países de outras culturas, apresenta novos desafios, não pouco empenhativos, para a evangelização. Trata-se de uma cultura marcada profundamente por um relativismo que recusa toda afirmação de uma verdade absoluta e transcendente e, em consequência, arruina também os fundamentos da moral e se fecha à religião. Dessa forma, perde-se a paixão pela verdade, relegada a uma “paixão inútil”. Jesus Cristo, no entanto, apresenta-se como a Verdade, o Logos universal, a Razão que ilumina e explica tudo o que existe. O relativismo, ademais, vem acompanhado de um subjetivismo individualista, que põe no centro de tudo o próprio ego. Por fim, chega-se ao niilismo, segundo o qual não há nada nem ninguém pelo qual vale a pena investir a própria inteira vida e, portanto, a vida humana carece de um verdadeiro sentido. Todavia, é preciso reconhecer que a atual cultura dominante, pós-moderna, traz consigo um grande e verdadeiro progresso científico e tecnológico, que fascina o ser humano, principalmente os jovens. O uso deste progresso, infelizmente, não tem sempre como escopo principal o bem do homem e de todos os homens. Falta-lhe um humanismo integral, capaz de dar-lhe seu verdadeiro sentido e finalidade. Poderíamos referir-nos ainda a outros aspectos dessa cultura: consumismo, libertinagem, cultura do espetáculo e do corpo. Não se pode, porém, não frisar que tudo isso produz um laicismo, que não quer a religião, faz de tudo para enfraquecê-la ou, ao menos, relegá-la à vida particular das pessoas.

Essa cultura produz uma descristianização, por demais visível, na maioria dos países cristãos, especialmente no Ocidente. O número das vocações sacerdotais caiu. Diminuiu também o número dos presbíteros, seja pela falta de vocações seja pelo influxo do ambiente cultural em que vivem. Tais circunstâncias poderiam conduzir-nos à tentação de um pessimismo desencorajante, que condena o mundo atual, e induzir-nos à retirada para a defensiva, nas trincheiras da resistência.

Jesus Cristo, ao invés, afirma: “Eu não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo” (Jo 12,47). Não podemos nem desencorajar-nos nem ter medo da sociedade atual nem simplesmente condená-la. É preciso salvá-la! Cada cultura humana, também a atual, pode ser evangelizada. Em cada cultura há “sementes do Verbo”, como aberturas para o Evangelho. Certamente, também na nossa atual cultura. Sem dúvida, também os assim chamados “pós-cristãos” poderiam ser tocados e reabrir-se, caso fossem levados a um verdadeiro encontro pessoal e comunitário com a pessoa de Jesus Cristo vivo. Em tal encontro, cada pessoa humana de boa vontade pode, por Ele, ser alcançada. Ele ama a todos e bate à porta de todos, porque quer salvar a todos, sem exceção. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida, para todos. É o único mediador entre Deus e os homens.

Caríssimos Presbíteros, nós, pastores, nos tempos de hoje, somos chamados com urgência à missão, seja “ad gentes”, seja nas regiões dos países cristãos, onde tantos batizados afastaram-se da partecipação em nossas comunidades ou, até mesmo, perderam a fé. Não podemos ter medo nem permanecer quietos em casa. O Senhor disse a seus discípulos: “Por que tendes medo, homens fracos na fé?” (Mt 8, 26). “Não se acende uma lâmpada e se coloca debaixo do alqueire, mas no candieiro, para que ilumine a todos os que estão na casa” (5,15). “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). “Eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28,20).

Não lançaremos a semente da Palavra de Deus apenas da janela de nossa casa paroquial, mas sairemos ao campo aberto da nossa sociedade, a começar pelos pobres, para chegar também a todas as camadas e instituições sociais. Iremos visitar as famílias, todas as pessoas, principalmente os batizados que se afastaram. Nosso povo quer sentir a proximidade da sua Igreja. Faremo-lo, indo à nossa sociedade com alegria e entusiasmo, certos da presença do Senhor conosco na missão e certos de que Ele baterá à porta dos corações aos quais O anunciarmos.

Cardeal Cláudio Hummes-Arcebispo Emérito de São Paulo-Prefeito da Congregação para o Clero

Fonte: CNBB
Local:São Paulo (SP)


OS PADRES NA IGREJA

Os padres da Igreja - 03/08/2009 - 13:40
"Recomenda-se, por isso, vivamente que os católicos se aproximem com mais freqüência destas riquezas espirituais dos Padres do Oriente que levam o homem á contemplação das coisas divinas". (Papa João Paulo II, Carta Apostólica Orientale Lumen, 1995.)
Quando dizemos “O Santo Padre” (no singular), estamos falando do Papa; mas quando dizemos “Os Santos Padres” ou os “Padres de Igreja”, estamos nos referindo àqueles famosos “mestres” da doutrina e da fé que viveram nos primeiros séculos da Igreja. Eles foram os primeiros “construtores” da Teologia, os guias ou “pais” na elaboração da doutrina da Igreja. “Padres” quer dizer “pais”, geradores ou fontes. O período em que viveram chama-se Patrística, e o estudo de sua vida e de suas obras leva o nome de Patrologia.
A seguir damos outras características dos Padres da Igreja.
1.Antiguidade: situam-se entre os séculos segundo e oitavo.
2.Ortodoxia: sua doutrina é correta, aprovada pela Igreja.
3.Santidade de vida: são mestres e testemunhas da fé.
4.Aprovação: são reconhecidos pela Igreja como tais.
Por isso, Orígenes e Tertuliano não são propriamente “Padres” da Igreja. São, antes, apologistas ou Escritores Eclesiásticos. Sua doutrina teve alguns senões.
Outra expressão consagrada na Teologia e na História da Igreja é “Padres Apostólicos”. São aqueles mestres famosos que receberam a doutrina dos Apóstolos. Por exemplo: Inácio de Antioquia, Clemente Romano, Policarpo. Estes são também tidos como Santos Padres.

OS PADRES DO DESERTO
Os Padres do Deserto viveram entre os séculos III e VI. À primeira vista, encarnaram uma espiritualidade que nos parece um pouco estranha; mas, examinando melhor seus ditos, descobrimos sua atualidade.
Os monges primitivos falam por experiência. Não imaginam nenhuma teoria sobre a natureza do ser humano, mas experimentaram em seu próprio corpo a que significa ser pessoa humana, como se parece o caminho para Deus, qual caminho dá certo e qual conduz ao abismo.
Quando os Padres do Deserto pensam em Deus, pensam também em sua imagem como pessoas. Seu relacionamento com Deus é marcado por lealdade e sinceridade e, diante de Deus, reconhecem quem são.
Um dos maiores mestres da espiritualidade cristã da atualidade é o monge beneditino alemão Anselm Grüm, escreve ele: “Os monges primitivos conseguiram através de uma ascese conseqüente, de um autoconhecimento honesto e de um constante bater à porta de Deus tornar-se totalmente permeáveis ao amor e á luz de Deus. Devemos aproveitar das ricas fontes que nos oferece a tradição cristã. Uma fonte clara e sempre refrescante para a vida espiritual são os escritos dos monges primitivos. Suas palavras são, pois, cheias de fascínio pelo Deus que, só ele, pode satisfazer nosso desejo mais profundo”.
Os Padres do Deserto, também são conhecidos como anacoretas ou eremistas. Os primeiros foram São Paulo de Tebas; Santo Antão, chamado o “Pai o Monges”; São Pacômio, foi o primeiro a reunir os eremitas num mosteiro, no ano 318, na Tebaida, às margens do rio Nilo. São Marcário, São Basílio e São Bento seguiram o exemplo de São Pacômio.

REGRA DE SÃO BENTO – CAPÍTULO 73
Escrevemos esta Regra para que, seguindo-a nos mosteiros, demonstremos possuir certa honestidade na maneira de viver e algum início de vida religiosa.
Quanto ao mais, para aquele que se apressa em alcançar a perfeição da vivência monástica, existem os ensinamentos doa Santos Pais, cujo seguimento leva o ser humano ao ponto mais alto da perfeição celestial. Com efeito, que página ou palavra de autoridade divina, seja do Antigo, seja do Novo Testamento, não é norma seguríssima para a vida humana? Ou que livro dos Santos Pais católicos não nos diz, em sua ressonância, que devemos correr por um caminho direto até chegamos ao nosso Criador? E também as Conferências (Colações) dos Pais, as instituições e Vidas deles, assim como a Regra de nosso Santo Pai Basílio, que outra coisa são senão os instrumentos das virtudes dos monges de vida santa e abedientes?
Para meditação:
“O Patriarca Antônio falou ao Patriarca Poimém: “A maior obra dos homens é esta: ser capaz de apresentar seus pecados a Deus e estar preparado para as tentações até o último suspiro” (Apot. 4).

MAGNITUDE DOS SANTOS PADRES

É de suma importância o estudo dos Padres da Igreja para profundidade da doutrinação da fé, dos primórdios da História da Igreja e da Sagrada Teologia.
A magnitude dos Santos Padres para a teologia vem do fato de que uma opinião defendida por todos os Padres de uma determinada época, se for em matéria de fé ou moral, é considerada como infalivelmente verdadeira.
O conhecimento dos Santos Padres da Igreja é conhecer o fervor da experiência com Deus, a fortaleza da fé católica, a ortodoxia da doutrina e o Cristo PANTOCRATOR (em grego significa “aquele que tem poder sobre tudo”).
Depois de São Paulo Apóstolo, o maior teólogo de todos os tempos é Santo Tomás de Aquino.
Em suas duas Portentosas SUMAS, ele declara expressamente que Deus é o sujeito (subiectum) de toda a sua ciência teológica.
No princípio da CONTRA GENTILES, fazendo suas palavras de Santo Hilário, diz: “Estou consciente de que o principal ofício da minha vida e referente a Deus, de modo que toda palavra minha e todos os meus sentidos dele falem (I sobre a Trindade 37; PL 10, 48 D.)” E, na SUMMAE THEOLOGIAE, também declara: “Ora, na doutrina sagrada, tudo é tratado sob a razão de Deus, ou porque se trata de Próprio Deus ou de algo que a Ele se refere como a seu princípio ou a seu fim”.
Segundo o Papa Pio XI “A Suma Teológica é o céu visto da terra”.

E-mail: pe.inaciojose.osbm@hotmail.com

BIBLIOGRAFIA
A Regra de São Bento. Tradução de Dom Abade Basílio Penido, osb.
Mosteiro da Santa Cruz, Juiz de Fora – MG, 2000.
Cechinato, Luiz. Os vinte séculos de caminhada da Igreja, Petrópolis – RJ: Vozes, 1996.
Grün, Anselm. Os Padres do Deserto: temas e textos, Petrópolis – RJ: Vozes, 2009.
Jamison, Christopher, Encontre seu santuário – Lições de monges para a vida cotidiana, São Paulo: Editora Larousse do Brasil, 2008.


SANTOS SACERDOTES

“Rezemos muito pelos sacerdotes; As suas almas precisam ser mais lúcidas e mais puras do que o cristal”. Santa Teresinha do Menino Jesus ,Doutora da Santa Madre Igreja.
Padre quer dizer pai. Do Latim, pater/patris = pai – o padre é o pai da comunidade. Aquele que acolhe, ouve, aconselha, orienta, adverte, corrige, quando necessário e alimenta de esperança os fiéis. O padre também é conhecido como sacerdote, ou então, como presbítero.

O padre é sacerdote (em Latim, sacer = sagrado + dos = dom). Ele oferece a Deus o sacrifício da Eucaristia, memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É presbítero (em Grego, presbíteros, significa ancião, idoso, experiente) porque como um irmão mais velho, orienta com sabedoria, seus irmãos mais novos, sempre buscando conduzi-los para a maturidade da fé.

Ser padre é uma abissal vocação. É o bom Deus que escolhe o seu servo no meio do povo, consagrado e devolvido ao povo para servi-lo através do sacramento da ordem, o sacerdócio ministerial.

Está escrito na Epístola aos Hebreus: “Todo sumo sacerdote é tomado do meio do povo e representa o povo nas relações com Deus, para oferecer dons e sacrifícios pelos pecados” (Hb 5,1).

O sacerdócio não é uma profissão, uma carreira, um teatro ou um status social ou político. Não é algo que só depende da decisão pessoal. Não é uma visão unilateral, não é uma vontade apenas racional e uma realização carnal. Ser padre é uma escolha de Deus, um chamado para o apostolado do Calvário ao Túmulo vazio.

Deus chama e capacita o padre para trabalhar em prol do seu Reino. O padre representa a face gloriosa de Cristo no mundo transfigurado pela dor e sofrimento.

Ser padre é um grande mistério que vai além da razão humana.

Para fazer com que os fiéis cheguem à maturidade da fé, os padres batizam. Perdoam os pecados através do sacramento da Penitência, são testemunhas da Igreja nos sacramentos do Matrimônio e da Unção dos Enfermos. Mas o mais importante é: a cada dia, os padres renovam o sacrifício de Cristo, a Eucaristia, alimento para sua vida e para a dos fiéis (Decreto Presbyterorum Ordinis, sobre o Ministério e a Vida doa Presbíteros, n°. 5).

A maior felicidade do mundo é o amor de Deus em nossos corações.

A maior graça do mundo é a nossa bendita salvação eterna e o maior tesouro do mundo para o padre é a sua vocação sacerdotal.

O escrito francês autor do Pequeno Príncipe Saint-Exupery disse: “O verdadeiro amor nunca se gasta. Quanto mais se dá mais se tem”.Este pensamento em relação ao padre e a missa podemos parafrasear assim: “O verdadeiro amor ao sacerdócio nunca se gasta. Quanto mais se dá pela Santa Missa, mais se tem”.

SACERDOTES SANTOS
“Se eu encontrasse um anjo e um sacerdote, primeiro saudaria ao sacerdote e depois ao anjo...”. São Francisco de Assis- O Santo do Amor e da Paz

O Papa São Pio X dizia: “Um padre santo faz o povo santo e um padre que não é santo, podemos chamá-lo não inútil, mas até de perigoso para o próximo”.

E o Papa Pio XI afirmou: “Que imenso benefício é para o povo um sacerdote santo! Queríamos dizer que o próprio Deus não pode conceder benefício maior do que dar ao povo um sacerdote santo, um sacerdote segundo o coração de Deus...”.

O Padroeiro de todos os sacerdotes do mundo, O Santo Cura d’Ars, exemplo de sacerdote e de serviço a Santa Madre Igreja, repetia a seu bispo: “Se quererdes converter vossa diocese, será preciso tornar santos todos os vossos párocos”.

O Santo Cura de d’Ars, seu nome de batismo era João Batista Maria Viammey, nos deixou um conselho monumental: “A mais bela profissão do homem é amor e rezar”.

O Papa Bento XVI, antes de se dirigir para a terra natal de João Paulo II, em 26 de maio de 2005, no Mosteiro da Virgem Negra, considerada a Rainha da Polônia, dirigindo-se aos sacerdotes, disse que “o mundo e a Igreja precisam de sacerdotes santos” e,dirigindo-se de modo particular aos candidatos ao sacerdócio, fez um forte apelo, para que eles se deixassem “guiar por Maria e aprender de Jesus” e acrescentou: - “fixai-O, deixai que Ele vos forme, para que um dia sejais capazes, no vosso ministério, de ver quantos se aproximarão de Cristo por meio de vós”. Referindo-se à vida quotidiana do sacerdote, o Papa frisou: “quando tomais nas vossas mãos o Corpo eucarístico de Jesus, para d’Ele alimentar o Povo de Deus e quando assumis a responsabilidade por aquela parte do Corpo Místico, que vos será confiada, recordai a atitude de admiração e de adoração, que caracterizou a fé de Maria. Assim como Ela conservou o amor virginal pleno de admiração, também vós, ajoelhando-vos, liturgicamente, no momento da consagração, conservai no vosso ânimo a capacidade de admira-vos e de adorar”.
CONCLUSÃO
A dimensão da santidade sacerdotal está na consistência do amor a Cristo e a sua Igreja. Ter paixão e amor pelas almas perdidas. Ter amor pela pregação do Evangelho libertador de Jesus Cristo. A face do padre brilha o amor por todos.

O grande Doutor da Igreja Santo Tomás de Aquino afirmou com magistral sabedoria: “A santidade não consiste em saber muito, meditar muito, pensar muito. O grande mistério da santidade é amar muito”.

Oração, jejum, retiros espirituais, leitura da Sagrada Escritura, Liturgia das Horas, vida dos santos e a celebração da Santa Missa, são práticas para perfeição sacerdotal.

A renúncia, sacrifícios, sofrimentos, e solidão são vividos no amor e no exemplo de silêncio e do sim da Virgem Maria.

O território sacerdotal é bem vivenciado no carinho, no amor e na compreensão dos fiéis para o sacerdote com seus defeitos e virtudes. O sacerdote santifica a comunidade, tanto quanto ela santifica também o sacerdote.

O centro da santidade sacerdotal é a Santíssima Eucaristia, o livro principal para sua leitura de devoção piedosa é a Palavra Deus e o fundamento de um justo e salutar ministério sacerdotal são: a graça de Cristo, o amor de Deus e a unção do Espírito Santo.

Fonte: Pe. Inácio José do Vale - Paróco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Local:Volta Redonda(RJ)


CHAMOU OS QUE QUIS

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Chamou os que quis - 07/07/2009 - 15:46
Não há Igreja de Cristo sem a Palavra de Deus e a Eucaristia. E não há celebração da Eucaristia e pregação da Palavra sem o chamado e o envio dos discípulos-missionários por Jesus Cristo. Jesus chamou os que quis para ficarem com Ele e os enviar à missão (cf. Mc 3, 13-14). Na linha da sucessão apostólica, hoje, os Padres, chamados também de Sacerdotes ou Presbíteros, são os discípulos-missionários de Jesus, o Bom Pastor que devotava misericórdia preferentemente para com os doentes, pobres e pecadores.

Igualmente os Padres de nossa Diocese, à imagem do Bom Pastor, empenham-se para ter esse jeito de ser de Jesus, vivendo próximos do povo e servindo a todos com zelo pastoral, como homens de misericórdia e compaixão. É por isso que o nosso povo tem grande estima para com os nossos Padres. Enquanto estiveram em retiro espiritual, na semana passada, nossas comunidades de fé os acompanharam com suas orações. Isso explica porque o retiro foi muito proveitoso e frutuoso.

Como os Apóstolos foram importantes e insubstituíveis para o projeto de Jesus, também os nossos Padres o são hoje, A vocação sacerdotal é uma graça de Deus para quem é chamado; e o ministério sacerdotal, um dom de Deus para a Igreja.

Durante o Ano Sacerdotal, somos convidados a orar por mais e santas vocações, e pela santificação dos nossos Padres. Que eles possam, com a ajuda do Espírito Santo, deixar se configurar com o coração do Bom Pastor, e permanecer fiéis à vocação e missão de trabalhar pelo Reinado de Deus, em favor da vida humana, da vida em Cristo e da vida eterna.

Dom Caetano Ferrari, OFM
Bispo Diocesano de Bauru


AUDIÊNCIA GERAL DO PAPA

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01/07/2009 - 20:59 - Papa destaca fecundidade do ministério sacerdotal na vida da Igreja

"O amor ao próximo, a atenção à justiça e aos pobres não são temas apenas relativos à moral social, mas expressam uma concepção sacramental da moral cristã, porque, através do ministério dos presbíteros, realiza-se o sacrifício espiritual de todos os fiéis, em união com o de Cristo", disse o Papa Bento XVI na Audiência Geral desta quarta-feira, 1.

"Através do anúncio do Evangelho, os sacerdotes geram a fé naqueles que ainda não crêem, para que possam unir ao sacrifício de Cristo o seu próprio sacrifício, que se traduz em amor a Deus e ao próximo", explicou.

Ao saudar os peregrinos em francês, o Papa agradeceu as graças obtidas com o Ano Paulino, recém-concluído, e se felicitou pela celebração do Ano Sacerdotal, no sesquicentenário da morte do Santo Cura d’Ars.

"A figura deste santo sacerdote irá nos guiar e nos ajudar na conscientização de que Deus é a graça de renovação espiritual para sacerdotes e para toda a Igreja. Antes de tudo, progredimos na identificação com Cristo, que assegura a fidelidade e a fecundidade do testemunho evangélico. Através do ministério do padre, o sacrifício espiritual dos fiéis se une àquele de Cristo, o único Mediador", disse Bento XVI.

Por sua consagração, continuou o Papa, o sacerdote recebe um extraordinário talento, que faz dele o seu testemunho de encontro com uma pessoa, Cristo, e abre novos horizontes: ele é o homem do anúncio e dos sacramentos.

"Minha esperança é que este Ano Sacerdotal ajude os padres a apreciar a imensa graça de sua vocação, consagração e missão. Que toda a Igreja - durante este Ano - possa rezar e trabalhar com ainda mais fervor pela santificação dos sacerdotes, pelo aumento das vocações, e por uma maior valorização do papel dos padres na vida da comunidade eclesiástica".

O Papa também dedicou algumas palavras aos fiéis de língua portuguesa:

"Amados peregrinos de língua portuguesa, uma saudação afetuosa para todos, especialmente para os grupos do Brasil e de Portugal: esta peregrinação a Roma encha de luz e fortaleza o vosso testemunho diário como seguidores de Jesus Cristo, único Salvador e Senhor da vida: fora d'Ele, não há vida, nem esperança de a ter. Com Cristo, sucesso eterno à vida que Deus vos confiou. Sobre cada um de vós e respectiva família, desça a minha Bênção!"

Em italiano, Bento XVI saudou os representantes da Comissão antiusura, presentes na praça, agradecendo-lhes pela estimada obra que realizam junto às vítimas deste flagelo social. O Papa pediu um esforço maior de todos para um combate mais eficaz do fenômeno da agiotagem e da extorsão, que – a seu ver – constitui uma 'humilhante escravidão'. Bento XVI pediu a colaboração do governo:

"Que o Estado não deixe de oferecer ajuda adequada às famílias mais pobres, que mesmo em meio a dificuldades, têm coragem de denunciar as pessoas que se aproveitam de sua trágica condição".

No final do encontro com os fiéis e turistas, antes de conceder a sua benção apostólica, o Papa saudou os membros da Associação parlamentar "Cultores da ética", relevando a importância dos valores éticos e morais da classe política.


19/06/2009-2010

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CARTA DA PRESIDÊNCIA DA CNBB
Amados presbíteros do Brasil,
“Dou graças ao meu Deus, cada vez que me lembro de vós nas minhas orações por cada um de vós. É com alegria que faço minha oração, por causa da vossa comunhão no anúncio do evangelho...” (Fl 1,3-5a).
Na solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia de oração pela santificação do clero, por ocasião da abertura do Ano Sacerdotal, convocado por S. Santidade o Papa Bento XVI, nós Bispos do Brasil, queremos manifestar nossa profunda gratidão a todos os presbíteros que diuturnamente se colocam a serviço do Povo de Deus.
Não obstante as fragilidades, reconhecemos o grande dom de Deus na vida e no ministério dos presbíteros do Brasil. Fazemos nossas as palavras do Cardeal Cláudio Hummes no 12º Encontro Nacional de Presbíteros: “de modo geral, são homens dignos, bons, homens de Deus, admiráveis, generosos, honestos, incansáveis na doação de todas as suas energias ao seu ministério, à evangelização, em favor do povo especialmente a serviço dos pobres e dos marginalizados, dos excluídos e dos injustiçados, dos desesperados e sofridos de todo tipo, deles nos orgulhamos, os veneramos e amamos realmente, com claro reconhecimento do trabalho pastoral que realizam”.
Neste Ano Sacerdotal, que se estende de 19 de junho de 2009 a 19 de junho de 2010, desejamos que seja dinamizada a Pastoral Presbiteral, a fim de que venha a ser verdadeiro instrumento de comunhão entre os presbíteros, auxiliando-os nas mais diversas circunstâncias. Para tal sugerimos as indicações, divulgadas pela CNBB, para o Ano Sacerdotal.
O Ano Sacerdotal seja espaço para intensificar e promover a santificação dos sacerdotes e ajudá-los a perceberem cada vez mais a importância do seu papel e de sua missão na Igreja e na sociedade contemporânea.
Ao celebrarmos os 150 anos da morte de São João Batista Maria Vianney, o Santo Cura D’Ars, invocamos sua proteção e inspiração para a vivência do tema do Ano Sacerdotal “fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”.

Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana, Presidente da CNBB (centro)

Dom Luiz Soares Vieira - Arcebispo de Manaus, Vice-Presidente da CNBB (à esquerda)
Dom Dimas Lara Barbosa Bispo - Auxiliar do Rio de Janeiro Secretário Geral da CNBB ( à direita)
Postado por Ir. Patricia Silva, fsp às 16:36 0 comentários
Ano Sacerdotal: documentos


Documentos:

* Do Vaticano II

* Dos Papas

no seguinte endereço:

http://www.vatican.va/special/anno_sac/priests_doc_po.html


CARTA DO PAPA

CARTA DO SUMO PONTÍFICE BENTO XVI PARA A PROCLAMAÇÃO DE UM ANO SACERDOTAL POR OCASIÃO DO 150º ANIVERSÁRIO DO DIES NATALIS DO SANTO CURA D’ARS


Amados irmãos no sacerdócio,

Na próxima solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 – dia dedicado tradicionalmente à oração pela santificação do clero – tenho em mente proclamar oficialmente um «Ano Sacerdotal» por ocasião do 150.º aniversário do «dies natalis» de João Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os párocos do mundo.[1] Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renovação interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evangélico mais vigoroso e incisivo, terminará na mesma solenidade de 2010. «O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus»: costumava dizer o Santo Cura d’Ars.[2] Esta tocante afirmação permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratidão o dom imenso que são os sacerdotes não só para a Igreja mas também para a própria humanidade. Penso em todos os presbíteros que propõem, humilde e quotidianamente, aos fiéis cristãos e ao mundo inteiro as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua existência. Como não sublinhar as suas fadigas apostólicas, o seu serviço incansável e escondido, a sua caridade tendencialmente universal? E que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que, não obstante dificuldades e incompreensões, continuam fiéis à sua vocação: a de «amigos de Cristo», por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?

Eu mesmo guardo ainda no coração a recordação do primeiro pároco junto de quem exerci o meu ministério de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedicação sem reservas ao próprio serviço sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o próprio acto de levar o viático a um doente grave. Depois repasso na memória os inumeráveis irmãos que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais às diversas nações, generosamente empenhados no exercício diário do seu ministério sacerdotal. Mas a expressão utilizada pelo Santo Cura d’Ars evoca também o Coração traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve. E isto leva o pensamento a deter-se nas inumeráveis situações de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experiência humana da dor na multiplicidade das suas manifestações, ou porque incompreendidos pelos próprios destinatários do seu ministério: como não recordar tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua missão e, às vezes, mesmo perseguidos até ao supremo testemunho do sangue?

Infelizmente existem também situações, nunca suficientemente deploradas, em que é a própria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Daí advém então para o mundo motivo de escândalo e de repulsa. O máximo que a Igreja pode recavar de tais casos não é tanto a acintosa relevação das fraquezas dos seus ministros, como sobretudo uma renovada e consoladora consciência da grandeza do dom de Deus, concretizado em figuras esplêndidas de generosos pastores, de religiosos inflamados de amor por Deus e pelas almas, de directores espirituais esclarecidos e pacientes. A este respeito, os ensinamentos e exemplos de S. João Maria Vianney podem oferecer a todos um significativo ponto de referência. O Cura d’Ars era humilíssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: «Um bom pastor, um pastor segundo o coração de Deus, é o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma paróquia e um dos dons mais preciosos da misericórdia divina».[3] Falava do sacerdócio como se não conseguisse alcançar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: «Oh como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (…) Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, à sua voz, Nosso Senhor desce do céu e encerra-se numa pequena hóstia».[4] E, ao explicar aos seus fiéis a importância dos sacramentos, dizia: «Sem o sacramento da Ordem, não teríamos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacrário? O sacerdote. Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a força de realizar a sua peregrinação? O sacerdote. Quem a há-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela última vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitará, quem lhe restituirá a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (…) Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu».[5] Estas afirmações, nascidas do coração sacerdotal daquele santo pároco, podem parecer excessivas. Nelas, porém, revela-se a sublime consideração em que ele tinha o sacramento do sacerdócio. Parecia subjugado por uma sensação de responsabilidade sem fim: «Se compreendêssemos bem o que um padre é sobre a terra, morreríamos: não de susto, mas de amor. (…) Sem o padre, a morte e a paixão de Nosso Senhor não teria servido para nada. É o padre que continua a obra da Redenção sobre a terra (…) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, senão houvesse ninguém para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: é ele que abre a porta; é o ecónomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (…) Deixai uma paróquia durante vinte anos sem padre, e lá adorar-se-ão as bestas. (…) O padre não é padre para si mesmo, é-o para vós».[6]

Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situação religiosamente precária: «Naquela paróquia, não há muito amor de Deus; infundi-lo-eis vós». Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para lá a fim de encarnar a presença de Cristo, testemunhando a sua ternura salvífica: «[Meu Deus], concedei-me a conversão da minha paróquia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!»: foi com esta oração que começou a sua missão.[7] E, à conversão da sua paróquia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a formação cristã do povo a ele confiado. Amados irmãos no sacerdócio, peçamos ao Senhor Jesus a graça de podermos também nós assimilar o método pastoral de S. João Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender é a sua total identificação com o próprio ministério. Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Missão: toda a sua acção salvífica era e é expressão do seu «Eu filial» que, desde toda a eternidade, está diante do Pai em atitude de amorosa submissão à sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, também o sacerdote deve ansiar por esta identificação. Não se trata, certamente, de esquecer que a eficácia substancial do ministério permanece independentemente da santidade do ministro; mas também não se pode deixar de ter em conta a extraordinária frutificação gerada do encontro entre a santidade objectiva do ministério e a subjectiva do ministro. O Cura d’Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmonização entre a sua vida de ministro e a santidade do ministério que lhe estava confiado, decidindo «habitar», mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: «Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habitação. (…) Entrava na igreja antes da aurora e não saía de lá senão à tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procurá-lo lá»: lê-se na primeira biografia.[8]

O exagero devoto do pio hagiógrafo não deve fazer-nos esquecer o facto de que o Santo Cura soube também «habitar» activamente em todo o território da sua paróquia: visitava sistematicamente os doentes e as famílias; organizava missões populares e festas dos Santos Patronos; recolhia e administrava dinheiro para as suas obras sócio-caritativas e missionárias; embelezava a sua igreja e dotava-a de alfaias sagradas; ocupava-se das órfãs da «Providence» (um instituto fundado por ele) e das suas educadoras; tinha a peito a instrução das crianças; fundava confrarias e chamava os leigos para colaborar com ele.

O seu exemplo induz-me a evidenciar os espaços de colaboração que é imperioso estender cada vez mais aos fiéis leigos, com os quais os presbíteros formam um único povo sacerdotal[9] e no meio dos quais, em virtude do sacerdócio ministerial, se encontram «para os levar todos à unidade, “amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos” (Rm 12, 10)».[10] Neste contexto, há que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Concílio Vaticano II aos presbíteros para que «reconheçam e promovam sinceramente a dignidade e participação própria dos leigos na missão da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experiência e competência deles nos diversos campos da actividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos». [11]

O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fiéis aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacrário para uma visita a Jesus Eucaristia.[12] «Para rezar bem – explicava-lhes o Cura –, não há necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus está ali, no tabernáculo sagrado: abramos-Lhe o nosso coração, alegremo-nos pela sua presença sagrada. Esta é a melhor oração».[13] E exortava: «Vinde à comunhão, meus irmãos, vinde a Jesus. Vinde viver d’Ele para poderdes viver com Ele».[14] «É verdade que não sois dignos, mas tendes necessidade!».[15] Esta educação dos fiéis para a presença eucarística e para a comunhão adquiria um eficácia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que «não era possível encontrar uma figura que exprimisse melhor a adoração. (...) Contemplava a Hóstia amorosamente».[16] Dizia ele: «Todas as boas obras reunidas não igualam o valor do sacrifício da Missa, porque aquelas são obra de homens, enquanto a Santa Missa é obra de Deus».[17] Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: «A causa do relaxamento do sacerdote é porque não presta atenção à Missa! Meu Deus, como é de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordinária!».[18] E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre também o sacrifício da sua própria vida: «Como faz bem um padre oferecer-se em sacrifício a Deus todas as manhãs!».[19]

Esta sintonia pessoal com o Sacrifício da Cruz levava-o – por um único movimento interior – do altar ao confessionário. Os sacerdotes não deveriam jamais resignar-se a ver os seus confessionários desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fiéis por este sacramento. Na França, no tempo do Santo Cura d’Ars, a confissão não era mais fácil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucionária tinha longamente sufocado a prática religiosa. Mas ele procurou de todos os modos, com a pregação e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penitência sacramental, apresentando-a como uma exigência íntima da Presença eucarística. Pôde assim dar início a um círculo virtuoso. Com as longas permanências na igreja junto do sacrário, fez com que os fiéis começassem a imitá-lo, indo até lá visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que lá encontrariam o seu pároco, disponível para os ouvir e perdoar. Em seguida, a multidão crescente dos penitentes, provenientes de toda a França, haveria de o reter no confessionário até 16 horas por dia. Dizia-se então que Ars se tinha tornado «o grande hospital das almas».[20] «A graça que ele obtinha [para a conversão dos pecadores] era tão forte que aquela ia procurá-los sem lhes deixar um momento de trégua!»: diz o primeiro biógrafo.[21] E assim o pensava o Santo Cura d’Ars, quando afirmava: «Não é o pecador que regressa a Deus para Lhe pedir perdão, mas é o próprio Deus que corre atrás do pecador e o faz voltar para Ele».[22] «Este bom Salvador é tão cheio de amor que nos procura por todo o lado».[23]

Todos nós, sacerdotes, deveríamos sentir que nos tocam pessoalmente estas palavras que ele colocava na boca de Cristo: «Encarregarei os meus ministros de anunciar aos pecadores que estou sempre pronto a recebê-los, que a minha misericórdia é infinita».[24] Do Santo Cura d’Ars, nós, sacerdotes, podemos aprender não só uma inexaurível confiança no sacramento da Penitência que nos instigue a colocá-lo no centro das nossas preocupações pastorais, mas também o método do «diálogo de salvação» que nele se deve realizar. O Cura d’Ars tinha maneiras diversas de comportar-se segundo os vários penitentes. Quem vinha ao seu confessionário atraído por uma íntima e humilde necessidade do perdão de Deus, encontrava nele o encorajamento para mergulhar na «torrente da misericórdia divina» que, no seu ímpeto, tudo arrasta e depura. E se aparecia alguém angustiado com o pensamento da sua debilidade e inconstância, temeroso por futuras quedas, o Cura d’Ars revelava-lhe o segredo de Deus com um discurso de comovente beleza: «O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, já sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como é grande o amor do nosso Deus, que vai até ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, só para poder perdoar-nos!».[25] Diversamente, a quem se acusava de forma tíbia e quase indiferente, expunha, através das suas próprias lágrimas, a séria e dolorosa evidência de quão «abominável» fosse aquele comportamento. «Choro, porque vós não chorais»:[26] exclamava ele. «Se ao menos o Senhor não fosse assim tão bom! Mas é assim bom! Só um bárbaro poderia comportar-se assim diante de um Pai tão bom!».[27] Fazia brotar o arrependimento no coração dos tíbios, forçando-os a verem com os próprios olhos o sofrimento de Deus, causado pelos pecados, quase «encarnado» no rosto do padre que os atendia de confissão. Entretanto a quem se apresentava já desejoso e capaz de uma vida espiritual mais profunda, abria-lhe de par em par as profundidades do amor, explicando a inexprimível beleza de poder viver unidos a Deus e na sua presença: «Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. (...) Como é belo!»[28] E ensinava-lhes a rezar assim: «Meu Deus, dai-me a graça de Vos amar tanto quanto é possível que eu Vos ame!».[29]

No seu tempo, o Cura d’Ars soube transformar o coração e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. Também hoje é urgente igual anúncio e testemunho da verdade do Amor: Deus caritas est (1 Jo 4, 8). Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, João Maria Vianney sabia instruir o seu povo, ainda que frequentemente suspirava convencido da sua pessoal inaptidão a ponto de ter desejado diversas vezes subtrair-se às responsabilidades do ministério paroquial de que se sentia indigno. Mas, com exemplar obediência, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paixão apostólica pela salvação das almas. Procurava aderir totalmente à própria vocação e missão por meio de uma severa ascese: «Para nós, párocos, a grande desdita – deplorava o Santo – é entorpecer-se a alma»,[30] entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferença em que vivem muitas das suas ovelhas. Com vigílias e jejuns, punha freio ao corpo, para evitar que opusesse resistência à sua alma sacerdotal. E não se esquivava a mortificar-se a si mesmo para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expiação dos muitos pecados ouvidos em confissão. Explicava a um colega sacerdote: «Dir-vos-ei qual é a minha receita: dou aos pecadores uma penitência pequena e o resto faço-o eu no lugar deles».[31] Independentemente das penitências concretas a que se sujeitava o Cura d’Ars, continua válido para todos o núcleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote não pode dedicar-se à sua salvação se se recusa a contribuir com a sua parte para o «alto preço» da redenção.

No mundo actual, não menos do que nos tempos difíceis do Cura d’Ars, é preciso que os presbíteros, na sua vida e acção, se distingam por um vigoroso testemunho evangélico. Observou, justamente, Paulo VI que «o homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou então, se escuta os mestres, é porque eles são testemunhas».[32] Para que não se forme um vazio existencial em nós e fique comprometida a eficácia do nosso ministério, é preciso não cessar de nos interrogarmos: «Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? É verdade que esta é o alimento de que vivemos, mais de que o sejam o pão e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma dá realmente um timbre à nossa vida e forma o nosso pensamento?».[33] Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e só depois é que os enviou a pregar, assim também nos nossos dias os sacerdotes são chamados a assimilar aquele «novo estilo de vida» que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Apóstolos.[34]

Foi precisamente a adesão sem reservas a este «novo estilo de vida» que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d’Ars. O Papa João XXIII, na carta encíclica Sacerdotii nostri primordia – publicada em 1959, centenário da morte de S. João Maria Vianney –, apresentava a sua fisionomia ascética referindo-se de modo especial ao tema dos «três conselhos evangélicos», considerados necessários também para os presbíteros: «Embora, para alcançar esta santidade de vida, não seja imposta ao sacerdote como própria do estado clerical a prática dos conselhos evangélicos, entretanto esta representa para ele, como para todos os discípulos do Senhor, o caminho regular da santificação cristã».[35] O Cura d’Ars soube viver os «conselhos evangélicos» segundo modalidades apropriadas à sua condição de presbítero. Com efeito, a sua pobreza não foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse com muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados não deixavam de se interessar pelas suas obras sócio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus órfãos, as meninas da sua «Providence»,[36] as suas famílias mais indigentes. Por isso, ele «era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo».[37] Explicava: «O meu segredo é simples: dar tudo e não guardar nada».[38] Quando se encontrava com as mãos vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: «Hoje sou pobre como vós, sou um dos vossos».[39] Deste modo pôde, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: «Não tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamar-me quando quiser!».[40] Também a sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu ministério. Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve habitualmente tocar a Eucaristia e que habitualmente a fixa com todo o entusiasmo do coração e com o mesmo entusiasmo a dá aos seus fiéis. Dele se dizia que «a castidade brilhava no seu olhar», e os fiéis apercebiam-se disso quando ele se voltava para o sacrário fixando-o com os olhos de um enamorado.[41] Também a obediência de S. João Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa adesão às exigências diárias do seu ministério. É sabido como o atormentava o pensamento da sua própria inaptidão para o ministério paroquial e o desejo que tinha de fugir «para chorar a sua pobre vida, na solidão».[42] Somente a obediência e a paixão pelas almas conseguiam convencê-lo a continuar no seu lugar. A si próprio e aos seus fiéis explicava: «Não há duas maneiras boas de servir a Deus. Há apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido».[43] A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: «Fazer só aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus».[44]

No contexto da espiritualidade alimentada pela prática dos conselhos evangélicos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular para saberem acolher a nova primavera que, em nossos dias, o Espírito está a suscitar na Igreja, através nomeadamente dos Movimentos Eclesiais e das novas Comunidades. «O Espírito é multiforme nos seus dons. (…) Ele sopra onde quer. E fá-lo de maneira inesperada, em lugares imprevistos e segundo formas precedentemente inimagináveis (…); mas demonstra-nos também que Ele age em vista do único Corpo e na unidade do único Corpo».[45] A propósito disto, vale a indicação do decreto Presbyterorum ordinis: «Sabendo discernir se os espíritos vêm de Deus, [os presbíteros] perscrutem com o sentido da fé, reconheçam com alegria e promovam com diligência os multiformes carismas dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos».[46] Estes dons, que impelem não poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito não só para os fiéis leigos mas também para os próprios ministros. Com efeito, da comunhão entre ministros ordenados e carismas pode brotar «um válido impulso para um renovado compromisso da Igreja no anúncio e no testemunho do Evangelho da esperança e da caridade em todos os recantos do mundo».[47] Queria ainda acrescentar, apoiado na exortação apostólica Pastores dabo vobis do Papa João Paulo II, que o ministério ordenado tem uma radical «forma comunitária» e pode ser cumprido apenas na comunhão dos presbíteros com o seu Bispo.[48] É preciso que esta comunhão entre os sacerdotes e com o respectivo Bispo, baseada no sacramento da Ordem e manifestada na concelebração eucarística, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efectiva e afectiva.[49] Só deste modo é que os sacerdotes poderão viver em plenitude o dom do celibato e serão capazes de fazer florir comunidades cristãs onde se renovem os prodígios da primeira pregação do Evangelho.

O Ano Paulino, que está a chegar ao fim, encaminha o nosso pensamento também para o Apóstolo das nações, em quem refulge aos nossos olhos um modelo esplêndido de sacerdote, totalmente «doado» ao seu ministério. «O amor de Cristo nos impele – escrevia ele –, ao pensarmos que um só morreu por todos e que todos, portanto, morreram» (2 Cor 5, 14). E acrescenta: Ele «morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si próprios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles» (2 Cor 5, 15). Que programa melhor do que este poderia ser proposto a um sacerdote empenhado a avançar pela estrada da perfeição cristã?

Amados sacerdotes, a celebração dos cento e cinquenta anos da morte de S. João Maria Vianney (1859) segue-se imediatamente às celebrações há pouco encerradas dos cento e cinquenta anos das aparições de Lourdes (1858). Já em 1959, o Beato Papa João XXIII anotara: «Pouco antes que o Cura d’Ars concluísse a sua longa carreira cheia de méritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra região da França, a uma menina humilde e pura para lhe transmitir uma mensagem de oração e penitência, cuja imensa ressonância espiritual há um século que é bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemoração celebramos, fora de antemão uma viva ilustração das grandes verdades sobrenaturais ensinadas à vidente de Massabielle. Ele próprio nutria pela Imaculada Conceição da Santíssima Virgem uma vivíssima devoção, ele que, em 1836, tinha consagrado a sua paróquia a Maria concebida sem pecado e havia de acolher com tanta fé e alegria a definição dogmática de 1854».[50] O Santo Cura d’Ars sempre recordava aos seus fiéis que «Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa Mãe».[51]

À Virgem Santíssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no ânimo de cada presbítero um generoso relançamento daqueles ideais de total doação a Cristo e à Igreja que inspiraram o pensamento e a acção do Santo Cura d’Ars. Com a sua fervorosa vida de oração e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, João Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doação sem reservas a Deus e à Igreja. Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles próprios e com os leigos que é tão necessário hoje, como o foi sempre. Não obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre actual a palavra de Cristo aos seus apóstolos, no Cenáculo: «No mundo sofrereis tribulações. Mas tende confiança: Eu venci o mundo» (Jo 16, 33). A fé no divino Mestre dá-nos a força para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d’Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis também vós, no mundo actual, mensageiros de esperança, de reconciliação, de paz.

Com a minha bênção.

Vaticano, 16 de Junho de 2009.


BENEDICTUS PP. XVI




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